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Relacionamento Brasil-EUA: Uma História de Altos e Baixos
A decisão de James Monroe de reconhecer a independência do Brasil, em maio de 1824, ocorreu no contexto da doutrina lançada meses antes pelo então presidente dos Estados Unidos. Sob a justificativa de evitar a recolonização, a chamada doutrina Monroe preconizava que o hemisfério Ocidental (ou simplesmente as Américas) deveria ser parte da influência americana.
Essa relação bilateral, que completa 200 anos neste domingo, teve diferentes fases, com momentos de maior aproximação e outros de afastamento, além de uma mudança de paradigma na década de 1960.
Durante o século 19, a influência dos EUA sobre o Brasil foi mais retórica do que prática. A ambição americana de se tornar o principal polo de poder na América Latina encontrava barreiras, visto que naquela época o Reino Unido mantinha laços econômicos e políticos mais fortes com os países latino-americanos.
No entanto, a chegada ao poder de Getúlio Vargas trouxe novos componentes para essa dinâmica. Vargas usou o flerte com a Alemanha Nazista para obter financiamento americano, o que impulsionou a industrialização brasileira.
O contexto político internacional, marcado pela Guerra Fria, influenciou a relação entre Brasil e EUA. O Brasil buscou uma política externa mais independente nas décadas seguintes, mas manteve laços estreitos em alguns momentos, como no período Fernando Henrique Cardoso.
Atualmente, o relacionamento entre os dois países é afetado pela rivalidade entre China e EUA. O Brasil procura uma posição de equidistância nesse cenário, mas a pressão para alinhar-se com um dos lados tem aumentado.
Independentemente de quem estiver na Casa Branca, a tendência é que haja uma cobrança maior para que países como o Brasil se posicionem de acordo com os interesses dos Estados Unidos, principalmente no contexto da geopolítica atual.