Nesta quinta-feira, hacker do caso ‘Vaza Jato’ depõe perante a CPMI.
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Os parlamentares afirmaram que a oitiva do hacker busca esclarecer seu envolvimento na promoção de atos criminosos contra a democracia e as instituições públicas brasileiras, assim como sua relação com aqueles que instigaram e financiaram os grupos e ações relacionados à trama golpista. Além disso, a CPMI busca compreender a relação entre Delgatti e a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), que também é alvo da Operação 3FA.
A relatora da CPMI, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), destacou a importância do depoimento de Delgatti para a investigação dos fatos e para esclarecer como a deputada Zambelli atuou questionando a legitimidade do sistema eleitoral brasileiro nas eleições de 2022.
A defesa de Delgatti pediu um salvo-conduto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que ele pudesse ficar em silêncio durante a oitiva na comissão, pedido que foi atendido.
Segundo informações da Polícia Federal, entre os dias 4 e 6 de janeiro deste ano, 11 alvarás de soltura foram inseridos indevidamente no Banco Nacional de Mandados de Prisão, plataforma administrada pelo CNJ. Além disso, um mandado de prisão falso foi incluído para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, sendo Delgatti apontado como autor do ato.
Em depoimentos anteriores, Delgatti culpou diretamente a deputada Zambelli pela invasão do sistema do CNJ e pela inserção da ordem de prisão fraudulenta contra Moraes. De acordo com a PF, o hacker afirmou ter recebido pagamentos de assessores da deputada, via Pix, no valor de R$ 13,5 mil como contraprestação para estar à disposição da parlamentar.
Em novo depoimento prestado à PF, Delgatti apresentou provas de que recebeu cerca de R$ 40 mil de Zambelli para invadir qualquer sistema do Judiciário. O pagamento teria sido feito por depósitos bancários e em espécie, em São Paulo. Entre as provas apresentadas estaria uma conversa com um interlocutor da deputada.
Delgatti também afirmou ter encontrado o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ter discutido a viabilidade de acessar o código fonte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e invadir a urna eletrônica. Segundo o hacker, o acesso não foi adiante, pois foi permitido apenas na sede do Tribunal.
A deputada Zambelli tentou afastar o ex-presidente Bolsonaro da investigação, afirmando que ele não teve envolvimento com o caso. Ela explicou que contratou o hacker para demandas pessoais, relacionadas a redes sociais e site.
Walter Delgatti Neto, conhecido como “Vermelho”, ficou conhecido por hackear trocas de mensagens do ex-juiz da Operação Lava Jato Sérgio Moro, hoje senador, e do ex-procurador da República e deputado cassado Deltan Dallagnol. Ele já havia sido preso em 2019 na Operação Spoofing, na qual admitiu ter hackeado o celular de diversas autoridades brasileiras. Delgatti também afirmou ter repassado o conteúdo das mensagens a Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, sem cobrar contrapartidas financeiras.