Daniel Vorcaro é Transferido para Cela Comum após Decisão do STF
Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi realocado para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, a partir de sexta-feira, 18 de maio de 2026. A decisão do relator do caso, o ministro André Mendonça, assinou a aplicação das "regras de funcionamento ordinárias" no regime carcerário a que Vorcaro está submetido.
O banqueiro foi preso desde 19 de março deste ano, acusado de fraude financeira, causando um colapso de mais de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Antes da transferência, ele estava em um espaço especial destinado a detentos de alto perfil, o mesmo onde o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpriu parte de sua detenção.
Com a mudança, as visitas de advogados de Vorcaro foram limitadas. Agora, eles podem vê-lo apenas duas vezes ao dia, com duração de 30 minutos cada visita, e sem a possibilidade de levar materiais de trabalho. Anteriormente, o banqueiro recebia seus advogados em um horário mais flexível, das 9h às 17h.
Essas restrições vêm à tona em meio a novas evidências coletadas pela PF, que colocam em dúvida as negociações de Vorcaro para uma delação premiada, que poderia envolver nomes de destaque na política, como os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Ciro Nogueira (PP-PI). Relatos recentes indicam que Vorcaro investiu aproximadamente R$ 61 milhões no financiamento do filme "Dark Horse," uma biografia do ex-presidente Bolsonaro. O site Intercept Brasil divulgou um áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Vorcaro para a conclusão do projeto, ocorrido um dia antes da prisão do banqueiro.
Além disso, as investigações descobriram que Flávio Bolsonaro estava em tratativas com Vorcaro para um novo investimento de U$ 24 milhões, o que equivale a cerca de R$ 134 milhões na época. Intermediários como o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o deputado Mario Frias também estão ligados a essas transações.
Recentemente, surgiram informações sobre uma doação de R$ 3 milhões feita pelo cunhado de Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel, à campanha presidencial de Jair Bolsonaro. Mensagens também indicam que Vorcaro supostamente pagava uma mesada ao senador Ciro Nogueira, que é considerado pela PF um destinatário central dos benefícios indevidos do banqueiro.
As investigações, cada vez mais aprofundadas, revelaram uma rede complexa de transações financeiras, incluindo pagamentos mensais, compras de participação acionária com descontos significativos e saídas de dinheiro vivo, o que sinaliza um padrão de corrupção sistêmica. Um exemplo notável dessa corrupção foi uma emenda proposta por Ciro Nogueira que buscava aumentar o limite de cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, um texto supostamente redigido por assessores do Banco Master e entregue ao senador de forma clandestina.
As reviravoltas nesta história complexa continuam a capturar a atenção pública, com desdobramentos que podem moldar o futuro político e financeiro do Brasil.
