Ameaças de Anexação da Venezuela aos EUA Revelam Crise de Hegemonia, Afirma Especialista
As recentes declarações sobre a possível anexação da Venezuela aos Estados Unidos reacenderam um debate sobre a soberania latino-americana. Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, criticou um jornalista da Fox News que alegou que Washington estaria "considerando seriamente" a incorporação da nação caribenha como seu 51º estado. Em resposta, Rodríguez enfatizou: "Jamais estaria nos planos, pois temos um amor inabalável pelo nosso processo de independência".
Após um período de tentativas de reconstrução nas relações entre Washington e Caracas, rupturas anteriores, especialmente desde 2019, voltam ao centro das discussões. O cenário geopolítico atual inclui também reflexões sobre a fragilidade da hegemonia norte-americana. Michelle Ellner, coordenadora da organização CODEPINK, afirmou que a crise de hegemonia é evidente, destacando que potências confiantes em sua superioridade costumam optar por mecanismos de controle indiretos em vez de anexações abertas. "A campanha militar dos EUA e de Israel contra o Irã é um exemplo claro do momento decisivo que estamos vivendo", afirmou Ellner, ressaltando a importância geoestratégica e simbólica que a Venezuela representa, com sua abundância de petróleo e histórico de resistência.
Sergio Rodríguez Gelfenstein, especialista em relações internacionais, complementou que a retórica do presidente Trump deve ser vista como um instrumento de pressão, não como sinal de debilidade. Ambos concordam sobre a impossibilidade legal de anexação, apontando que, segundo a Constituição americana, novos estados só podem ser criados em território sob controle ou por meio de processos internos, nunca pela força.
Instituições multilaterais, como a ONU e CELAC, também devem se posicionar. Ellner defende que é vital que essas organizações reafirmem o princípio da soberania, evitando a defesa de governos específicos. Finalmente, ambos os especialistas concordam que a população americana não endossa tais iniciativas expansionistas, dada a ausência de apoio popular significativo a partir de um contexto interno marcado por crises econômicas e sociais.
Essas declarações oferecem uma janela para compreender não apenas as dinâmicas entre EUA e Venezuela, mas também as tensões mais amplas no cenário da política internacional, onde a busca por hegemonia frequentemente se esbarra na resistência à imposição de hegemonias colonialistas.
