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Posicionamento do Itamaraty sobre a prisão de brasileiro em Israel: declarações de Thiago Ávila

Posicionamento do Itamaraty sobre a prisão de brasileiro em Israel: declarações de Thiago Ávila

5 de maio de 2026

Autores:

Raphaela Ribeiro


O Ministério das Relações Exteriores do Brasil está empenhado em garantir a libertação do ativista de direitos humanos Thiago Ávila. A informação, confirmada em nota enviada à Agência Pública, destaca que o “Ministério das Relações Exteriores [MRE] do Brasil continua a trabalhar para a liberação do cidadão brasileiro e a completa investigação das condições que cercam sua detenção”.

Thiago Ávila e o espanhol de ascendência palestina Saif Abu Keshk foram sequestrados pelas forças armadas israelenses na madrugada de 30 de abril, ao lado de outros 173 tripulantes de 22 embarcações. As embarcações, que levavam ajuda humanitária a Gaza, foram interceptadas em águas internacionais, a menos de 150 quilômetros da ilha grega de Creta, como parte do movimento Global Sumud Flotilla (GSF).

A maioria dos ativistas foi liberada após serem levados à força para um navio israelense e desembarcou no porto de Ierapetra, no sul da Creta, segundo relatório do GSF. No entanto, Ávila e Abu Keshk não foram autorizados a seguir com os demais e foram enviados para Israel, onde chegaram em 2 de maio. Os ativistas libertados relataram ter sofrido agressões e torturas durante a detenção.

O jornal israelense “The Times of Israel” informou que átila e Abu Keshk permanecem em prisão preventiva, sob suspeita de estarem ligados a um grupo que, segundo os Estados Unidos, atua em nome do “grupo terrorista Hamas”. As acusações contra Ávila envolvem sua suposta associação com a Conferência Popular para os Palestinos no Estrangeiro (PCPA), considerada por Israel e pelos EUA como uma organização terrorista que facilita a captação de recursos para o Hamas, responsável por um ataque a Israel em outubro de 2023, que desencadeou um novo ciclo de violência na região.

No último dia 1º de maio, o governo brasileiro emitiu uma nota em conjunto com a Espanha, condenando “nos termos mais enérgicos” o sequestro de seus cidadãos em águas internacionais por Israel. Desde então, o governo brasileiro não se pronunciou publicamente sobre a situação de Ávila.

Thiago Ávila e Abu Keshk: “condições terríveis”

No dia 3 de maio, um tribunal na cidade israelense de Ashkelon prorrogou a prisão dos dois ativistas por mais dois dias. A defesa de Ávila e Abu Keshk é fornecida pelo grupo israelense de direitos humanos Adalah. Advogados que visitaram os ativistas relataram, segundo publicação da organização em redes sociais, que ambos enfrentam “condições terríveis de detenção, incluindo ameaças de morte e tratamento que equivale a tortura”.

Segundo os advogados, os detidos são mantidos em celas com luzes intensas, uma prática comum no sistema prisional israelense que visa privar os prisioneiros de sono e causar desorientação. Além disso, os ativistas, que se encontram em greve de fome, foram avaliados por médicos com os olhos vendados, uma clara violação dos princípios éticos da medicina e considerada tortura pela legislação internacional.

Relatos indicam que, durante a audiência de domingo, Ávila mencionou ter sido submetido a “extrema brutalidade” pelos militares israelenses durante a apreensão. Ele foi arrastado pelo chão e espancado, resultando em perda de consciência em duas ocasiões. Advogados que estavam presentes confirmaram a presença de hematomas visíveis em seu rosto, incluindo ao redor do olho esquerdo, além de mobilidade reduzida e dor intensa na mão.

O Itamaraty observa que a “Embaixada do Brasil em Tel Aviv presta assistência ao ativista brasileiro, incluindo visitas consulares e acompanhamento das audiências judiciais relacionadas ao caso”. A nota reitera que a atuação consular do Brasil segue as normativas internacionais e nacionais, permitindo aos consulados fornecer assistência a brasileiros no exterior e realizar visitas a detentos.

Após o envio da nota, a reportagem questionou o MRE sobre as ações concretas adotadas para a libertação de Ávila e sobre a investigação das circunstâncias de sua detenção. Contudo, até o fechamento desta matéria, o Ministério não havia respondido. Caso haja resposta do Itamaraty, a reportagem será atualizada. Confira a íntegra da nota emitida até o momento.

Reprodução @defensaIsrael



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