Avibras Retoma Atividades Após Longa Paralisação e Sindicatos Reagem à Possível Venda ao Capital Estrangeiro
A Avibras Aeroco, antiga Avibras Indústria Aeroespacial, localizada em Jacareí (SP), reabriu suas portas nesta segunda-feira, 4 de maio de 2026, marcando o fim de uma greve que durou impressionantes 1.280 dias, considerada uma das mais longas da história do Brasil. Esta greve começou em setembro de 2022 e foi motivada por atrasos no pagamento de salários.
O retorno à operação acontece sob uma nova direção, com foco em governança, sustentabilidade financeira e um expansionismo no mercado internacional, liderado pelo engenheiro Sami Hassuani, reconhecido por sua vasta experiência nos setores de defesa e aeroespacial.
Claudio Motta, que dirige o departamento de Recursos Humanos da empresa há 35 anos, expressou sua alegria ao ver os trabalhadores retornarem. “É uma felicidade indescritível para todos nós que construímos nossas vidas aqui. Durante a paralisação, muitos de nós perdemos a esperança, mas agora a retomada é um sinal de que o esforço valeu a pena”, afirmou. Ele afirmou estar determinado a garantir a continuidade da empresa, essencial para a soberania nacional.
O eletricista Eduardo Rosa, que esteve na linha de frente durante os dias de mobilização, compartilhou sua satisfação ao ver seus colegas voltarem à fábrica. “O sentimento é de glória; há dois anos, a situação parecia sem saída e agora, aqui estamos, juntos novamente”, disse.
Welder Gonçalves, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, celebrou a reabertura, mas criticou a falta de ação da classe política durante a crise. Segundo ele, o sindicato foi a única entidade a apoiar os trabalhadores nos momentos mais difíceis. “Infelizmente, a classe política não fez nada”, lamentou.
Em relação aos salários pendentes, foi aprovada uma proposta que prevê o pagamento de R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas, parcelado em até 48 vezes, beneficiando cerca de 1.400 trabalhadores. Gonçalves informou que já 271 colaboradores foram contratados em maio, com previsão de mais 240 em junho, somando quase 500 operários em atividade.
O sindicalista destacou que o governo brasileiro costuma adquirir armamentos de empresas estrangeiras em vez de contratos com a Avibras, algo que, segundo ele, representa uma grave questão de soberania nacional. “É uma vergonha que, em vez de apoiar a Avibras, nosso governo opte por fornecedores internacionais”, criticou.
Gonçalves ainda defendeu a estatização da empresa sob controle dos trabalhadores, afirmando que é preferível manter a Avibras nas mãos de um capital privado nacional do que entregá-la a interesses estrangeiros. “Manter a Avibras no Brasil é fundamental para nossa autonomia. Ao lado da Embraer, ela é uma das principais geradoras de tecnologia e inovação do país”, concluiu.
A volta da Avibras não apenas reviveu esperanças na comunidade local, mas também reacende o debate sobre a indústria de defesa no Brasil e a necessidade de valorização do potencial do setor dentro do país.
