Ir para o conteúdo

Acordo UE–Mercosul: Oportunidades de Mercado em Risco com Regulamentações Ambientais da Europa

Acordo UE–Mercosul: Oportunidades de Mercado em Risco com Regulamentações Ambientais da Europa

4 de maio de 2026

Autores:

Nitish Monebhurrun, Professor de Direito, Centro Universitário de Brasília (CEUB)


A Nova Era do Comércio: O Acordo Mercosul-União Europeia e Seus Desafios

A recente entrada em vigor do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia marca um ponto de inflexão na liberalização comercial entre as duas regiões. Após mais de 25 anos de negociações, o acordo cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, uma vitória para a cooperação econômica entre os blocos. O objetivo principal é facilitar o acesso de produtos do Mercosul ao mercado europeu e, simultaneamente, abrir novas oportunidades para exportadores europeus.

Estima-se que o impacto econômico do acordo sobre a União Europeia seja significativo até 2040, com um aumento projetado de mais de 77 bilhões de euros no PIB e uma expansão das exportações de até 50 bilhões de euros. A criação de aproximadamente 600 mil empregos no território europeu é outra expectativa positiva, especialmente devido à redução das tarifas sobre bens industriais, como automóveis e produtos químicos.

Entretanto, essa liberalização ocorre em um contexto de crescente rigor na regulamentação ambiental da União Europeia. O Regulamento Anti-desmatamento de 2023 institui que apenas produtos que não estejam associados ao desmatamento podem entrar no mercado europeu. Essa norma, de alcance extraterritorial, impacta diretamente países do Mercosul, exigindo que suas cadeias produtivas se ajustem a critérios ambientais europeus.

Embora o acordo mencione a sustentabilidade, suas referências permanecem limitadas, sem uma integração clara das normas ambientais extraterritoriais na proposta comercial. Essa desconexão pode levar à exclusão de alguns produtos do Mercosul, apesar da redução tarifária prometida, criando uma situação paradoxal em que a liberalização tarifária convive com barreiras regulatórias.

O resultado é um cenário onde apenas produtores que cumprirem exigências ambientais complexas conseguirão acessar o mercado europeu. A ausência de alinhamento entre as promessas do acordo e a realidade regulatória europeia levanta questões sobre a efetividade da abertura comercial prometida, evidenciando o desafio que o Mercosul enfrentará na nova ordem global do comércio.



Link da Fonte

Compartilhe:

Compartilhe emfacebook
Compartilhe emtwitter
Compartilhe emlinkedin

Mais lidas