Cerca de 2,7 milhões de habitantes da Amazônia Legal ainda enfrentam a realidade da dependência de energia cara e instável, frequentemente oriunda de sistemas isolados movidos a diesel. Para combater essa situação, o Banco da Amazônia estabeleceu uma parceria com o Banco Mundial, direcionando um investimento de US$ 627,75 milhões para a transição desses geradores para fontes renováveis, como a energia solar. O intuito é não apenas reduzir custos, mas também aumentar o acesso à eletricidade em áreas carentes da região.
Os recursos serão alocados para ampliar o acesso à energia limpa e promover uma mudança na matriz energética da Amazônia Legal. Essa iniciativa está inserida na estratégia de finanças sustentáveis do Banco da Amazônia, que prioriza o desenvolvimento regional.
Samara Farias, gerente de sustentabilidade da instituição, sublinhou a relevância da cooperação com o Banco Mundial: “Essa parceria consolida o Banco da Amazônia como o principal catalisador da economia de baixo carbono na região. Nosso foco transcende o mero apoio financeiro; buscamos garantir que cada dólar investido respeite os princípios da Agenda ASG e provoque um impacto significativo na qualidade de vida das populações mais vulneráveis, ao mesmo tempo que reduz a dependência de combustíveis fósseis e promove uma inclusão energética verdadeira”, declarou.
Em nota oficial, o Banco da Amazônia enfatizou que o projeto visa diminuir os custos da energia, especialmente em comunidades atendidas por sistemas isolados movidos a diesel, além de criar um ambiente favorável para atrair investimentos e dinamizar a economia local.
A proposta inclui investimentos em geração de energia renovável, com ênfase em sistemas solares e soluções híbridas, além da substituição gradual de fontes térmicas movidas a diesel, que ainda dominam as áreas isoladas. Ademais, estão previstos recursos para eficiência energética e modernização da infraestrutura existente.
Dados do Relatório da Administração 2025 do Banco da Amazônia revelam que a instituição terminou o ano anterior com um crescimento de 20,4% na carteira de crédito, alcançando R$ 66,8 bilhões. Luiz Lessa, presidente do Banco da Amazônia, destacou que o desempenho reflete uma demanda crescente por novos projetos nos municípios da região e o empenho da instituição em impulsionar o desenvolvimento local.
“Ao longo de um ano desafiador, conseguimos um crescimento substancial na carteira de crédito, evidenciando nossa capacidade de atuar na Região Norte e atender à demanda crescente por novos projetos, desenvolvimento do agronegócio e modernização das cidades”, ressaltou Lessa.
A iniciativa abrangerá todos os nove estados da Amazônia Legal, mas a aplicação dos recursos será guiada por critérios técnicos, priorizando áreas mais vulneráveis, onde a dependência de sistemas isolados e os altos custos de geração são maiores e o acesso a serviços básicos é limitado.
Desafios dos Sistemas Isolados na Amazônia Legal
O investimento ocorre em meio a uma complexa realidade estrutural. Milhões de pessoas na Amazônia Legal vivem em locais desconectados do Sistema Interligado Nacional (SIN), dependentes de sistemas isolados (Sisol). Essas estruturas autônomas operam majoritariamente com combustíveis fósseis, como o diesel, resultando em emissões elevadas de CO₂ e custos altos para os consumidores, segundo um relatório da Envol Energy Consulting para a Frente Nacional dos Consumidores de Energia.
A pesquisa indica que aproximadamente 2,7 milhões de indivíduos estão conectados a esses sistemas e enfrentam dificuldades para acessar uma energia confiável e a preços acessíveis. Muitas vezes, o fornecimento é intermitente ou restrito a algumas horas diárias, em decorrência do alto custo do diesel e da complexidade logística envolvida.
Além disso, cerca de 1 milhão de pessoas em regiões remotas ainda não têm acesso formal à eletricidade, evidenciando o desafio estrutural da universalização do serviço.
Nesse contexto, o projeto do Banco da Amazônia busca abordar as lacunas de acesso, custos e emissões de carbono, com estratégias que visam melhorar a qualidade de vida das populações locais.
Rumo a uma Estratégia Sustentável
O Banco da Amazônia informa que o projeto foi estruturado em alinhamento com diretrizes ambientais, sociais, e de governança (ASG), além das estratégias nacionais de transição energética. Os critérios socioambientais e climáticos foram incorporados para fortalecer uma carteira de projetos direcionada a uma economia de baixo carbono.
A iniciativa está projetada para contribuir com um novo ciclo de desenvolvimento na Amazônia, alicerçando soluções energéticas mais sustentáveis e adaptáveis à realidade da região.
