Paraguai Enfrenta Desafios com Acordo de Deportação dos EUA
O Paraguai iniciou o recebimento de voos de deportados dos Estados Unidos, fruto de um controverso acordo que estipula a chegada de 25 migrantes por mês. Especialistas alertam que essa política pode criar desafios significativos tanto logísticos quanto de segurança para o governo de Santiago Peña.
O primeiro voo, trazendo deportados de diversas nacionalidades, chegou a Assunção em 23 de abril de 2026. Esse acordo, conhecido como "terceiro país seguro", foi formalizado em agosto de 2025. Em troca da aceitação dos deportados, os Estados Unidos comprometem-se a oferecer apoio financeiro e condições básicas de abrigo e alimentação através da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Neste primeiro lote, 16 deportados chegaram ao Paraguai, provenientes de países como Bolívia, Colômbia, Equador e Espanha. Contudo, nove indivíduos foram barrados na imigração paraguaia por não atenderem aos critérios definidos pela Direção Nacional de Migrações. O governo assegurou que aqueles cuja entrada foi negada seriam rapidamente enviados de volta ao seus países de origem, com os custos sendo arcados pelos EUA e pela OIM.
No entanto, a falta de transparência em torno dos detalhes do acordo tem gerado críticas de legisladores da oposição. O deputado Cleto Giménez, presidente da Comissão de Migração e Desenvolvimento, levantou preocupações sobre a ausência da aprovação legislativa para o acordo.
O advogado e analista internacional Héctor Sosa Gennaro apontou que o governo paraguaio tentou rotular o acordo como um memorando para evitar que fosse tratado como um tratado formal, o que exigiria a aprovação do Congresso. Essa estratégia resultou na ausência de esclarecimentos sobre questões fundamentais, como a possibilidade de os deportados solicitarem asilo ou refúgio no Paraguai, e quais seriam as obrigações do país nessa situação.
A ampliação do acordo, assinada em fevereiro de 2026, reforça o papel do Paraguai na tarefa de reencaminhar os migrantes para seus locais de origem. Robert Alter, encarregado de negócios da Embaixada dos EUA, afirmou que Washington espera colaboração do governo paraguaio nesse processo.
O ex-diplomata Luis Fretes Carreras ressaltou a longa tradição do Paraguai em acolher refugiados, mas destacou que o novo acordo apresenta dimensões complexas, ligando questões humanitárias a interesses militares dos EUA. Ele criticou a falta de clareza nas condições do acordo e a associação de assuntos humanitários a questões de segurança.
A capacidade do Paraguai de influenciar quais migrantes serão aceitos tem gerado ceticismo entre analistas. O governo paraguaio tentou estabelecer critérios, como a exigência de que os deportados sejam de língua espanhola e sem antecedentes criminais. No entanto, Carreras alertou que a influência dos EUA poderá limitar as opções do Paraguai.
Se o ritmo de deportações continuar, especialistas preveem um aumento no número de migrantes no país, levantando preocupações sobre a capacidade do Paraguai de gerenciar adequadamente essa situação. A análise das implicações dessa política ainda está em andamento, com muitos questionando a combinação de cooperação humanitária e segurança militar que caracteriza o acordo.
