Análise revela a necessidade crescente de submarinos nucleares no Brasil após tensões geopolíticas
Em meio a episódios recentes de tensão na geopolítica da América Latina, o Brasil se vê em uma encruzilhada em relação à sua defesa marítima. Especialistas destacam que a construção de submarinos nucleares é mais essencial do que nunca, especialmente após a invasão dos Estados Unidos à Venezuela, que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, em janeiro de 2026.
Durante a LAAD Defence & Security Brazil 2026, Flávio Brasil, representante da Amazul — empresa responsável pela construção do submarino nuclear brasileiro —, enfatizou a necessidade de pelo menos dois novos submarinos nucleares. Ele argumenta que essas embarcações poderiam impor dificuldades significativas à qualquer tentativa de invasão, como evidenciado pela recente ação militar americana.
O submarino, parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), está sendo desenvolvido em parceria com a Naval Group da França e inclui a construção de cinco submarinos baseados na classe Scorpène: quatro de propulsão convencional e um de propulsão nuclear, nomeado Álvaro Alberto. Dos quatro submarinos convencionais, três já foram entregues e um está em testes.
Entre as vantagens dos submarinos nucleares estão o maior tempo de imersão e a capacidade de transporte de armamentos sofisticados, como apontou o capitão da reserva da Marinha do Brasil, Robinson Farinazzo. No entanto, ele alerta para a dificuldade de manobra e a maior facilidade de detecção por parte de sistemas radar.
O professor Alexandre Fuccille, da UNESP, ressalta que o custo ainda é um fator importante, reconhecendo que, enquanto os submarinos convencionais demonstraram resultados favoráveis em exercícios militares, a superioridade em termos de defesa marítima que os nucleares proporcionariam é inegável. Entretanto, ele expressou dúvidas sobre a relevância estratégica atual dos submarinos, sugerindo que seu impacto teria sido maior em décadas passadas.
A relação do Brasil com a França, que data de 2008, para o desenvolvimento do submarino nuclear é vista por alguns como insuficiente, com Farinazzo defendendo uma diversificação nas parcerias internacionais de defesa, citando o modelo indiano de cooperação tecnológica com a Rússia como exemplo a ser seguido.
Em um cenário contemporâneo de crescente instabilidade geopolítica, conforme demonstrado pelos conflitos na Ucrânia e no Irã, a necessidade de diversificação de capacidades de defesa e a redução da dependência externa são cruciais. Ambos os especialistas concordam que o Brasil deve desenvolver não apenas submarinos nucleares, mas também investir em mísseis de longo alcance, drones e satélites para fortalecer sua estratégia de defesa.
O fortalecimento da Marinha do Brasil é visto não apenas como uma questão de defesa nacional, mas também como essencial para a proteção dos interesses econômicos, especialmente na exploração de petróleo offshore. A produção de cerca de 3,77 milhões de barris por dia em 2025 destaca a urgência do tema, tendo em vista a vulnerabilidade econômica e estratégica do país.
Por fim, reafirma-se que, para garantir a soberania e a independência, o Brasil deve avançar em sua capacidade naval, entendendo o submarino nuclear como parte de uma estratégia de defesa mais ampla e integrada com políticas de desenvolvimento tecnológico.
