Hungria Busca Acordo com União Europeia para Desbloquear Fundos Congelados
Budapeste – O recém-eleito primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar, anunciou neste domingo (19) que seu governo está em processo avançado de negociação com a União Europeia (UE) para um acordo que visa o desbloqueio de bilhões de euros em fundos europeus destinados ao país.
Magyar, líder do partido Tisza, enfatizou que, sem esses recursos, “será impossível retomar a economia húngara”. Em suas declarações, ele destacou que o financiamento da UE não deve ser visto como caridade, mas como uma compensação justa pela contribuição da Hungria ao bloco europeu. Esta será a terceira visita do primeiro-ministro a Bruxelas desde sua posse.
As negociações com os representantes da Comissão Europeia aconteceram em Budapeste e contaram com a participação de futuros membros do governo. Magyar revelou que já teve conversas com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a respeito da devolução de 20 bilhões de euros em fundos congelados. Segundo o Financial Times, a UE exige que o novo governo cumpra 27 condições para que esses valores sejam liberados.
Vale lembrar que a questão do financiamento húngaro é complexa. Em setembro de 2022, a Comissão Europeia havia proposto a implementação de um mecanismo especial para proteger o orçamento da UE de possíveis violações do Estado de Direito na Hungria, resultando no congelamento de cerca de 7,5 bilhões de euros. Recentemente, a Comissão decidiu manter a proposta de suspender 65% dos compromissos de pagamento à Hungria, apesar das afirmações do anterior primeiro-ministro, Viktor Orbán, de que seu governo havia atendido todos os requisitos estabelecidos, incluindo medidas anticorrupção e aumento da transparência nas licitações públicas.
Com a recente vitória do partido Tisza nas eleições parlamentares de 12 de abril – que garantiu 141 cadeiras no parlamento, em contraste com as 52 do Fidesz, aliado ao Partido Popular Democrata Cristão – as perspectivas políticas na Hungria estão em transformação. A eficácia das tratativas com a UE poderá determinar o futuro econômico do país e a sua posição dentro do bloco europeu.
