Defensoria Pública realiza atendimento jurídico em quilombos de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, como parte das atividades do mês da Consciência Negra.
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Essa iniciativa faz parte das atividades promovidas pela Defensoria para marcar o mês da Consciência Negra. O atendimento foi realizado no quilombo urbano de Custodópolis, e moradores do quilombo ABC, localizado em uma região rural, também foram atendidos. Além dos serviços jurídicos, representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) estiveram presentes para prestar orientações sobre regularização fundiária.
O presidente do quilombo de Custodópolis, Rodrigo Conceição Amaro, enfatizou a importância dessas ações voltadas para as comunidades remanescentes para a efetivação dos direitos de seus integrantes, afirmando que elas são fundamentais para o fortalecimento das lutas e para que as comunidades entendam que não estão sozinhas.
Uma das pessoas que buscou os serviços jurídicos foi a quilombola Sheila Cristina, que pretende ingressar com uma ação de usucapião do terreno que ocupa há 17 anos. Ela destacou a importância de resolver a situação da regularização do terreno onde vive o mais rápido possível.
A defensora pública Isabela Monteiro Menezes explicou que a atuação nos territórios visa desburocratizar e democratizar o acesso à Justiça, ressaltando que as comunidades quilombolas são frequentemente invisibilizadas e sofrem preconceitos.
Além disso, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) anunciou na última segunda-feira (20), Dia da Consciência Negra, que reconhecerá os territórios, elementos naturais, moradias e ritos tradicionais de quilombos como patrimônios culturais do país. Essa decisão foi estabelecida por uma portaria que determina requisitos e regras para o tombamento desses locais.
Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país possui 1,32 milhão de quilombolas, correspondendo a 0,65% da população. A maioria vive em estados do Nordeste, e apenas 12% moram em territórios oficialmente reconhecidos.
Essas ações e reconhecimentos evidenciam a importância de prestar assistência e garantir direitos às comunidades quilombolas, além de valorizar e preservar sua herança cultural e histórica.