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Nicarágua e El Salvador em destaque no Miss Universo ressaltam turbulência político-social na América Central.







Miss Universo México: a prova de que belezas e lutas no continente vão além de festivais

Na noite do último sábado (18), a América Central ouviu, pela primeira vez, o nome de um país da região durante o anúncio da nova Miss Universo. O feito teve gosto de Copa do Mundo para a Nicarágua, nação da campeã, mas também evidenciou a turbulência pela qual a região passa.

A edição que deu vitória a Sheynnis Palacios, representante de um país que se transformou em uma ditadura de esquerda nos últimos anos, aconteceu em El Salvador, onde a democracia passa por um processo acelerado de degradação desde a eleição do populista de direita Nayib Bukele, em 2019.

Para o presidente salvadorenho, a edição é mais uma prova de que seu país “mudou para sempre”, como disse no palco do concurso. Tanto o discurso de Bukele quanto a vitória da miss nicaraguense tiveram repercussões em seus respectivos países.

Comemorações na Nicarágua

Na Nicarágua, pessoas de diversas cidades saíram às ruas em caravanas de carro, buzinando enquanto viam conterrâneos agitando a bandeira do país nas calçadas. O cenário, à primeira vista, parece comum, dado o ineditismo do evento —a única vez em que uma mulher da América Central ganhou o concurso de beleza foi em 2002, quando a panamenha Justine Pasek foi elevada ao título após a vencedora, a russa Oxana Fedorova, ser destituída meses após ganhar o prêmio.

“O papel da bandeira nicaraguense nos protestos de 2018 foi central e espontâneo”, afirma Douglas Castro, ativista da Aliança Cívica por Justiça e Democracia da Nicarágua. O grupo, que reúne diversos setores da sociedade civil, nasceu após as manifestações daquele ano, que deixaram ao menos 355 mortos, segundo a CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos).

Gestado nas redes sociais e nos ambientes acadêmicos nicaraguenses, o movimento não contou com a liderança de partidos políticos e passou a usar a bandeira do país em contraposição aos símbolos da Frente Sandinista de Libertação Nacional, sigla no poder.“Usar a bandeira nicaraguense, algo tão comum e que para muitas pessoas pode parecer inclusive conservador, é um símbolo de rebeldia na Nicarágua”, afirma Castro. “Em um país tão reprimido, em que as pessoas estão asfixiadas por não poderem se manifestar, foi um respiro de ar fresco poder sair com a bandeira e gritar na rua.”

Reação do regime


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