Pesquisa aponta que 3 em cada 10 brasileiras já sofreram violência doméstica, revela estudo do Instituto DataSenado.
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De acordo com a 10ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Instituto DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), cerca de três a cada dez brasileiras já foram vítimas de violência doméstica. Os resultados foram divulgados pela Procuradoria da Mulher do Senado nesta terça-feira (21).
A pesquisa, que antes era denominada “Pesquisa violência doméstica e familiar contra a mulher”, é realizada a cada dois anos e conta com a participação de mulheres de todo o Brasil. Com mais de 21 mil mulheres respondendo à pesquisa de 2023, este se tornou o maior estudo sobre violência doméstica realizado no país exclusivamente com mulheres.
A procuradora da Mulher no Senado, senadora Zenaide Maia (PSD-RN), ressaltou a importância da divulgação do estudo como um marco que pode orientar medidas para o enfrentamento à violência contra as mulheres, permitindo análises em nível estadual.
A série histórica da pesquisa revela a estabilidade nos números da violência estrutural contra a mulher. De acordo com a chefe do Serviço de Pesquisa e Análise do DataSenado, Isabela Lima, a manutenção dos indicadores reforça a necessidade de conscientização de que a agressão não é uma conduta natural e merece atenção da sociedade como um todo.
Estatísticas
O levantamento apontou que 25,4 milhões de brasileiras já sofreram violência doméstica provocada por homens em algum momento da vida. Destas, 22% declararam ter sofrido violência nos últimos 12 meses. A pesquisa destacou que a violência psicológica é a mais recorrente (89%), seguida pela moral (77%), física (76%), patrimonial (34%) e sexual (25%). Mulheres com menor renda são as que mais sofrem violência física, segundo o estudo.
A pesquisa também revelou que 52% das vítimas sofreram violência praticada pelo marido ou companheiro, e 15% pelo ex-marido, ex-namorado ou ex-companheiro. Além disso, 48% das entrevistadas afirmaram que houve descumprimento de medidas protetivas de urgência.
Jovens
Outro dado relevante da pesquisa é que a maior parte das vítimas vivenciou a primeira agressão ainda muito jovem, entre 19 e 24 anos. Além disso, houve um alto número de ocorrências de insultos e ameaças registrados nos últimos 12 meses. Entre as entrevistadas, 17% afirmaram ter sofrido denunciação caluniosa nesse período.
Esses números alarmantes evidenciam a urgência de medidas para combater a violência contra a mulher em todas as esferas da sociedade. Conscientização, políticas públicas eficazes, e maior acesso a serviços de proteção são fundamentais para mudar essa realidade tão preocupante para milhões de brasileiras.