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Greenpeace identifica novos pontos de garimpo em Terras Indígenas, aumentando desmatamento em áreas vulneráveis e atingindo recordes em TI Kayapó

O Greenpeace Brasil divulgou recentemente um relatório alarmante sobre a situação do garimpo ilegal nas Terras Indígenas (TIs) Kayapó e Yanomami. De acordo com a organização, novos pontos de garimpo foram identificados nessas áreas, que já estão entre as mais prejudicadas pela atividade.

Durante o período de julho a setembro deste ano, o garimpo provocou o desmatamento de 505 hectares nas TIs Kayapó, Yanomami, Munduruku e Sararé. Essa devastação equivale a aproximadamente 707 campos de futebol e foi medida com o auxílio de imagens de satélite dos Planet Lab e Sentinel-2.

Os dados revelam um aumento significativo na área desmatada em comparação ao mesmo período de 2023. As TIs Kayapó e Yanomami foram as mais atingidas, com um aumento de 35% e 32% respectivamente. O território dos kayapó perdeu 315 hectares de floresta, o equivalente a duas vezes o tamanho do Parque Ibirapuera, em São Paulo.

A TI Kayapó foi destacada por atingir recordes de área de garimpo, quantidade de novas áreas desmatadas e concentração de incêndios florestais em 2024. A TI Yanomami também registrou uma área total de garimpo de 4.123 hectares, com 50 hectares adicionais desmatados no trimestre analisado.

O governo federal divulgou uma nota contraditória, alegando que não foram identificados novos garimpos na região em setembro. No entanto, o Greenpeace contesta essa informação e aponta para a expansão da atividade ilegal em diversas áreas protegidas.

Além disso, o estudo revela um aumento de 34,7% na área devastada pelo garimpo na TI Munduruku e um desmatamento de 106,98 hectares na TI Sararé. A situação é ainda mais grave devido à escalada de violência nessas regiões.

Diante desse cenário preocupante, a organização destaca a necessidade de ações mais efetivas por parte das autoridades competentes. O Greenpeace ressalta que operações conjuntas já foram realizadas, mas ainda não são suficientes para conter o avanço do garimpo ilegal e proteger as terras indígenas. Os ministérios da Justiça e Segurança Pública, dos Povos Indígenas, a Casa Civil e a Funai foram procurados para comentar o assunto.

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