
De acordo com a Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro, a campanha conseguiu arrecadar 257 bolsas de sangue, quebrando o recorde histórico de doações para um domingo, que costuma ser de apenas 42 bolsas. Essa quantidade expressiva de doações certamente irá contribuir para suprir as necessidades dos bancos de sangue da região.
No entanto, mesmo com o sucesso da campanha, alguns torcedores denunciaram nas redes sociais a presença de cambistas, que estariam negociando a compra dos ingressos antes mesmo dos primeiros doadores realizarem a coleta do sangue. Os bilhetes para assistir ao jogo estão sendo vendidos por valores que variam entre R$ 400 e R$ 4.500.
Além disso, também circularam propostas de compra de lugares na fila, que eram vendidos por R$ 250,00 em grupos de torcedores do Flamengo. Um doador que preferiu não se identificar relatou à CNN que houve falta de fiscalização e tumulto na fila para a doação, chamando a campanha de “enganosa” e afirmando que a verdadeira proposta não era “doe sangue e ganhe um ingresso”, e sim “não doe sangue e venda seu ingresso”.
Outra preocupação levantada pelos torcedores é a presença de moradores em situação de rua sob efeito de drogas e álcool acampados para garantir os ingressos. É importante ressaltar que o consumo dessas substâncias não é permitido antes da doação de sangue, pois coloca em risco a saúde tanto do doador quanto do receptor.
Em resposta às denúncias, a Suderj informou à CNN que as cortesias foram entregues diretamente aos doadores e que não houve distribuição de ingressos nominalmente. Além disso, alegou desconhecer a venda de lugares na fila.
A entrega de ingressos não nominais, que facilita a venda, é considerada inadequada pelo presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), José Francisco Comenalli Marques Jr. Segundo ele, a doação de sangue deve ser um ato altruísta e benevolente, sem expectativa de recompensas.
A legislação brasileira também é clara nesse sentido. Conforme estabelecido no Art. 14 da Lei nº 10.205/2001, é proibida a remuneração ao doador pela doação de sangue. O Ministério da Saúde ressalta que a doação deve ser voluntária e não remunerada, estimulada como um ato de solidariedade e compromisso social.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) complementa, destacando que a doação de sangue deve ser voluntária, anônima e altruísta, sem a expectativa de receber qualquer remuneração ou benefício em troca. Contudo, a Anvisa permite que incentivos sejam fornecidos a todos os candidatos à doação, não apenas aos doadores efetivos.
Apesar das denúncias, a Suderj afirma que os ingressos foram entregues aos primeiros doadores. A campanha, que tinha o intuito de estimular a doação de sangue, acabou gerando polêmica devido à possível venda ilegal de ingressos e à presença de moradores de rua consumindo substâncias inadequadas para a doação.
É importante que as autoridades responsáveis investiguem essas denúncias e tomem medidas para garantir a integridade da campanha e a correta destinação dos ingressos aos verdadeiros doadores de sangue, de forma a não comprometer a saúde dos receptores e a manter a ética e a legalidade do processo.