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Decisão favorável a Dirceu contribui para aumento da rejeição à esquerda, diz colunista do UOL

Decisão polêmica de ministro causa repercussão na sociedade

O ministro não se ateve a nenhuma das acusações que levaram às condenações aplicadas ao José Dirceu porque não poderia. Se fosse anular, como anulou as condenações, ele não poderia percorrer os inquéritos, os processos, as ações, à procura das evidências que as investigações produziram. Elas são portentosas e abundantes.

Ele atribui tudo ao Sergio Moro e às perversões da Lava Jato. Elas ocorreram, mas não apagaram os crimes que foram cometidos. O contrário do lavajatismo primário é um antilavajatismo inocente, que aceita todas as presunções de corruptos e corruptores ao seu próprio respeito.

Para Josias, a decisão favorável a Dirceu ajuda a compor um cenário de impunidade dentro da sociedade, o que contribui para o aumento da rejeição à esquerda no país.

Aceitar o argumento de Dirceu sem considerar tudo o que foi descoberto sobre ele é, de fato, um escárnio. Mostra que o Brasil mudou muito. Em outros tempos, havia corrupção sem corruptores. Com a regulamentação da delação premiada, surgiu uma profusão de corruptores confessos. De repente, começaram a sumir os corruptos. Já não temos corruptores após seguidas decisões do Supremo.

As sentenças e as delações foram anuladas, mas não os benefícios decorrentes dessas delações. Está todo mundo livre de penalizações. O mais grave é que tudo isso ocorre à margem do plenário do Supremo. São decisões monocráticas. As delinquências da força-tarefa da Lava Jato não apagam as que foram materializadas. Esquecer tudo isso e passar uma borracha como se nada tivesse acontecido é realmente muito triste e lamentável.

Isso ajuda a explicar as dificuldades que a esquerda e a centro-esquerda têm em obter alguma cooperação dos eleitores. Em 2018, Bolsonaro foi eleito por conta dessas coisas, como fruto dessas perversões. As delinquências estão sendo todas anuladas e, evidentemente, a sociedade olha estarrecida para isso.

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