
Eleições no Uruguai: Disputa acirrada e cenário político complexo
Na noite de domingo, o candidato à presidência Yamandú Orsi, da Frente Ampla, se dirigiu aos seus apoiadores em Montevidéu, após um cansativo dia de eleições. A expectativa por uma vitória no primeiro turno ou por uma maioria parlamentar acabou se revelando mais complicada do que o esperado.
Com a disputa agora direcionada para o segundo turno entre Orsi e o candidato governista Álvaro Delgado, o cenário no Congresso se tornou mais incerto. A Frente Ampla garantiu uma estreita maioria no Senado, mas na Câmara a situação é de empate, com 48 cadeiras para a Frente e 49 para a Coalizão Republicana.
Uma surpresa adicional foram os dois deputados conquistados pelo partido Identidade Soberana, uma força política antissistema que se tornou a quarta maior do Uruguai. Com isso, a negociação pela maioria na Câmara se torna um desafio ainda maior.
O líder do Identidade Soberana, Gustavo Salle, critica os blocos tradicionais e promete ser uma alternativa de oposição ferrenha. O partido defende pontos como a anulação da Lei Trans e do Aborto, além de uma revisão do Código Penal uruguaio.
A entrada do Identidade Soberana no cenário político uruguaio traz uma complexidade adicional a um sistema acostumado com coalizões. O cientista político Daniel Buquet destaca a atração desse partido para um eleitorado insatisfeito com a política tradicional.
Segundo turno e o papel das alianças
O segundo turno promete ser acirrado, com a Frente Ampla buscando se fortalecer e a Coalizão Republicana enfrentando o desafio da falta de unidade. Analistas locais apontam que uma eventual união da direita uruguaia em um partido único poderia trazer vantagens significativas.
O cenário eleitoral também é marcado pela presença do Movimento de Participação Popular, liderado pelo ex-presidente José “Pepe” Mujica, que manteve sua hegemonia interna nas vagas do Congresso. A votação foi marcada por um plebiscito sobre a aposentadoria, que dividiu a atenção dos eleitores.
Em resumo, as eleições no Uruguai refletem um cenário político complexo, com a ascensão de novas forças e a polarização entre os blocos tradicionais. O segundo turno definirá o rumo do país e a composição do Congresso, em meio a um ambiente de incertezas e disputas pelos votos dos eleitores.