
Ex-seringueiro morre em isolamento na Amazônia
No interior da Amazônia, Antônio Ferreira da Costa, um ex-seringueiro e ex-coletor de castanha, enfrentou grave doença em meio a um isolamento extremo. Em 2024, durante uma seca intensa, a região vivenciou um desafio sem precedentes, com o lago Carapanatuba secando quase por completo e deixando Antônio e seus familiares ilhados.
O lago, que antes estava conectado ao rio Madeira por um igarapé, se transformou em um fio d’água. A jornada para buscar assistência médica para Antônio se tornou ainda mais difícil, exigindo horas de deslocamento em meio à escassez de água.
A situação do ex-seringueiro se agravou rapidamente, levando seus familiares a improvisarem uma forma de levá-lo até a cidade de Humaitá em busca de auxílio. O percurso foi árduo, com Antônio sendo transportado em redes até a margem mais próxima e, posteriormente, em uma embarcação improvisada.
Apesar dos esforços, Antônio não resistiu e veio a falecer no caminho de volta. A falta de atendimento médico adequado e a precariedade das condições de saúde na região foram destacadas pelos familiares do ex-seringueiro.
A história de Antônio reflete a dura realidade enfrentada por comunidades ribeirinhas na Amazônia, onde a escassez de recursos e a falta de estrutura complicam o acesso à saúde e outros serviços essenciais. A seca persiste na região, mantendo os moradores em constante vulnerabilidade.
Apesar das dificuldades, a comunidade se uniu para realizar o último desejo de Antônio, garantindo um enterro digno em sua terra natal. Seu legado como trabalhador da floresta e sua ligação com a natureza serão lembrados por aqueles que o conheceram.
Ainda há muitas incertezas sobre as causas da morte de Antônio e a falta de documentação oficial ressalta as lacunas no atendimento médico e na prestação de serviços públicos nas áreas remotas da Amazônia. Enquanto isso, os moradores aguardam ansiosos pela volta dos níveis normais do rio Madeira, em meio a um cenário de incertezas e desafios constantes.