
Desaparecimentos em São Paulo: O papel do Movimento Mães de Maio
No ano seguinte aos crimes de maio de 2006 em São Paulo, o movimento Mães de Maio, que reúne familiares de vítimas da violência policial, se deparou com uma questão até então despercebida em meio às mortes: os desaparecimentos.
O tema chegou ao grupo por meio da então estudante de serviço social Francilene Gomes Fernandes, durante um evento na capital paulista. Débora Maria da Silva, fundadora do Mães de Maio e pesquisadora no Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Unifesp, conta que o irmão de Francilene, Paulo Alexandre, desapareceu após uma abordagem policial em maio de 2006, abalando ainda mais a família que já havia perdido a filha Juliana em um assassinato anos antes.
Apesar do trauma, Francilene decidiu enfrentar a situação, interrompendo sua faculdade e voltando para pesquisar sobre a violência policial. Apoiada por amigos e familiares, ela se aproximou do Mães de Maio, que forneceu suporte para sua pesquisa durante o mestrado. Mesmo enfrentando um câncer, a pesquisadora concluiu o doutorado em serviço social em 2021 e lançou um livro sobre o tema, com os lucros revertidos para o movimento.
Francilene faleceu em setembro, deixando sua marca na luta contra a violência policial. Sua história inspira todos que a conheceram, mostrando como transformou o luto em luta por justiça.
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