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Pesquisadores do Instituto Evandro Chagas encontram evidências de transmissão vertical da febre oropouche, levando Ministério da Saúde a emitir alerta.







Febr oropouche

Novas Descobertas sobre a Febre Oropouche preocupa Ministério da Saúde

O Instituto Evandro Chagas (IEC), vinculado ao Ministério da Saúde (MS), divulgou recentemente evidências de que a febre oropouche, uma doença transmitida por mosquitos, pode ser passada da mãe para o bebê durante a gestação. Diante dessa descoberta, o MS emitiu uma nota técnica neste fim de semana recomendando uma vigilância redobrada dos Estados e municípios quanto à possibilidade de transmissão vertical dessa doença.

Os pesquisadores do IEC identificaram a presença de anticorpos contra o vírus em quatro bebês nascidos com microcefalia, além de material genético do vírus da oropouche em um feto natimorto com 30 semanas de gestação. Essas descobertas indicam a possibilidade de transmissão vertical do vírus, mas as limitações do estudo ainda não permitem confirmar se a infecção durante a gestação é a causa das malformações neurológicas nos bebês.

Estudos e Investigações

No mês passado, o IEC realizou estudos com recém-nascidos, analisando amostras de soro e líquor coletadas para investigar arboviroses que afetam o sistema nervoso. Os resultados foram negativos para zika e chikungunya, descartando outras possíveis causas de microcefalia, como toxoplasmose e sífilis. Em quatro bebês com microcefalia, os pesquisadores detectaram anticorpos do vírus da oropouche, evidenciando a transmissão vertical.

Além disso, investigações laboratoriais em um caso de morte fetal identificaram material genético do vírus OROV em diversos órgãos fetais, incluindo o tecido cerebral. Os estudos com animais infectados por vírus semelhantes ao OROV confirmam a transmissão vertical, podendo causar abortos e malformações fetais.

Relação com a Microcefalia

O pesquisador Pedro Vasconcelos do IEC destaca a possibilidade do vírus oropouche ser um causador dos casos de microcefalia, com base na presença de anticorpos IgM no sistema central dos bebês afetados. Essas descobertas reacendem preocupações semelhantes ao histórico com o zika vírus, que foi associado à epidemia de microcefalia no Brasil em 2015.

O número de casos de febre oropouche no Brasil tem aumentado, com 7.044 casos confirmados até a semana epidemiológica 27 de 2024. Regiões que antes não eram afetadas agora apresentam transmissão da doença, alertando para a disseminação do vírus.

Medidas de Prevenção e Recomendações

Para gestantes, o Ministério da Saúde recomenda evitar áreas com insetos, usar repelente, roupas que cubram o corpo e manter a casa limpa. Gestores públicos devem intensificar a vigilância de casos de arboviroses durante a gravidez e coletar amostras em casos de abortamento, óbito fetal e malformações congênitas.

O que é a Febre Oropouche?

A febre oropouche é causada por um arbovírus transmitido pelo mosquito Culicoides paraensis, conhecido como maruim. O vírus foi identificado no Brasil na década de 1960 e já causou surtos em diversos países das Américas. Existem ciclos silvestres e urbanos de transmissão da doença.

Sintomas e Recomendações

Os sintomas da febre oropouche incluem dor de cabeça, muscular, nas articulações, náusea e diarreia. Medidas de proteção são essenciais para evitar a transmissão do vírus. A vigilância ativa e a pesquisa laboratorial são fundamentais para o controle da doença.



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