Na esteira de operações de combate às irregularidades, a Prefeitura do Rio já demoliu 2.794 construções desde o início deste ano.

Nesta terça-feira (15), a Seop juntamente com o Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público realizaram a demolição de um prédio de quatro andares que foi construído irregularmente na Ilha da Gigóia, localizada na Barra da Tijuca e também em área sob influência do crime organizado. A construção não poderia ser legalizada pois não atendia aos parâmetros urbanísticos estabelecidos para a região. Vale ressaltar que o prédio já possuía mais de mil metros quadrados de área construída.
É importante mencionar que dos quatro andares, três deles já estavam praticamente concluídos, com pisos de mármore, que seriam destinados a 12 apartamentos. Já no último andar, os construtores tinham a intenção de construir um salão de jogos e área de lazer. Além disso, um deck particular com aproximadamente 400 metros quadrados estava sendo construído nos fundos do terreno. Segundo estimativas iniciais feitas pelos engenheiros municipais, a demolição causará um prejuízo de aproximadamente R$ 4 milhões aos responsáveis pela construção.
O secretário de Ordem Pública, Brenno Carnevale, avaliou a situação e afirmou que esse prédio é totalmente ilegal, construído sem qualquer licença ou autorização da prefeitura e que o objetivo da ação é preservar vidas, ordenar a cidade para frear o desmatamento e a desordem, além de asfixiar financeiramente o crime organizado. Carnevale destacou a importância da parceria com o Ministério Público, já que esses grupos criminosos se utilizam do mercado imobiliário irregular para lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito.
A promotora de Justiça Glaucia Rodrigues Mello, integrante da Força-Tarefa do Gaeco, afirmou que o proprietário do prédio já havia sido notificado para a paralisação da obra. Ela destacou que o responsável pela construção ilegal já estava sob investigação criminal pelo Ministério Público e, mesmo com a impossibilidade de legalização e os embargos impostos à obra, as construções continuaram a avançar. Por isso, a decisão conjunta com a Seop foi pela demolição administrativa.
É válido relembrar que em abril de 2019, dois prédios que foram construídos irregularmente na Muzema, zona oeste do Rio de Janeiro, desabaram, causando a morte de 24 pessoas. Esses edifícios foram construídos sem autorização da prefeitura e vendidos sem o habite-se, por um preço muito abaixo do valor de mercado.
Certamente, todas essas ações realizadas pela Seop em parceria com o Gaeco do Ministério Público são importantes para combater a construção ilegal e a atuação do crime organizado no mercado imobiliário. A demolição de construções irregulares é fundamental para a segurança dos moradores e para a preservação da ordem urbana.