Redução sem precedentes do gelo na Antártida gera preocupação entre especialistas e cientistas.

O crescimento do gelo marinho ao redor da Antártida atingiu uma baixa recorde neste inverno do Hemisfério Sul, o que tem preocupado os cientistas e levantado questões sobre suas consequências para o ecossistema e para o aumento do nível do mar.
Ted Scambos, pesquisador sênior da Universidade do Colorado em Boulder e especialista em Antártida, afirmou que este ano está “realmente diferente”, com uma mudança repentina no gelo marinho. A diminuição do gelo marinho no Oceano Antártico pode resultar em uma exposição maior da camada de gelo do continente ao oceano aberto, aumentando assim o derretimento e contribuindo para o aumento do nível do mar. Além disso, a redução do gelo também implica em menor proteção contra os raios solares, que podem elevar a temperatura da água.
Segundo dados do Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo dos Estados Unidos (NSIDC), no final de junho, a extensão do gelo marinho era quase 2,6 milhões de km2 menor do que a média esperada em aproximadamente 40 anos de observações por satélite. Essa diferença é considerada surpreendente em comparação com os anos anteriores.
A cientista Liping Zhang, do Laboratório de Dinâmica de Fluidos Geofísicos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA, afirmou que a baixa extensão do gelo marinho na Antártida em 2023 não tem precedentes no registro por satélite. Isso poderia indicar uma mudança no sistema do gelo marinho, tornando os extremos mais comuns.
A formação e o derretimento do gelo marinho na Antártida são influenciados por vários padrões oceanográficos e atmosféricos. Além disso, a queima de combustíveis fósseis pelos humanos e a adição de gases do efeito estufa à atmosfera também podem estar afetando o gelo marinho da região.
Marilyn Raphael, professora de geografia e diretora do Instituto de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Universidade da Califórnia em Los Angeles, afirmou que a diminuição do gelo marinho da Antártida nos últimos anos é preocupante, pois não está dentro da variabilidade natural. Raphael tem trabalhado para estender o registro histórico do gelo marinho da Antártida, buscando entender melhor a variabilidade natural e os efeitos do aquecimento do oceano.
Além disso, as temperaturas na superfície do mar têm quebrado recordes neste ano, e existem três manchas de água excepcionalmente quentes ao redor da Antártida. Esses pontos quentes estão localizados em áreas onde o gelo marinho tem se formado de forma incomumente lenta.
Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves