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Laboratório no RJ é acusado de infectar pacientes com HIV após transplantes; sócio é preso em operação policial.

Escândalo no Rio de Janeiro: Pacientes infectados com HIV após transplantes de órgãos

Recentemente, seis pacientes foram diagnosticados com o vírus HIV após passarem por transplantes de órgãos no Rio de Janeiro. As investigações apontaram que os resultados falso negativo dos exames de sangue realizados pelos doadores teriam sido fornecidos pelo laboratório PCS Lab, localizado na Baixada Fluminense.

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) tomou medidas imediatas para investigar o caso, que representa uma situação inédita no Brasil. Desde 2006, mais de 16 mil pessoas passaram por transplantes apenas no estado do Rio de Janeiro.

A Polícia Civil revelou que os casos de infecção por HIV foram causados por uma falha operacional com intuito de lucrar. Um dos sócios do PCS Lab, Walter Vieira, foi preso durante uma operação da Polícia Civil na manhã desta segunda-feira (14).

O Conselho Regional de Farmácia do Rio de Janeiro (CRF/RJ) confirmou a irregularidade do laboratório responsável pelos testes errados de HIV, que não possuía registro válido no órgão.

Contrato milionário e investigações em curso

A Fundação Saúde do RJ firmou um contrato de valor milionário com a Patologia Clinica Doutor Saleme Ltda, que previa a realização de análises clínicas e de anatomia patológica em unidades de Pronto Atendimento Médico na zona Norte da capital fluminense. O contrato foi suspenso após a SES-RJ tomar conhecimento do escândalo.

A Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar o caso, que envolve ao menos seis pacientes infectados por HIV. Além disso, o Ministério Público do Rio de Janeiro também abriu um inquérito civil para apurar as irregularidades.

Outras prisões também foram realizadas, incluindo Ivanildo Fernandes dos Santos, responsável técnico do laboratório, e Matheus Sales Teixeira Bandoli Vieira, filho de Walter. A polícia descreveu a situação como um erro deliberado que visava aumentar os lucros, comprometendo a segurança dos testes.

As investigações continuam, incluindo a reanálise de 300 testes e a identificação de outros possíveis casos de infecção por HIV. O Ministério da Saúde determinou a interdição do laboratório e a realização de novos testes em todos os doadores examinados pela empresa sob suspeita.

Medidas adotadas e próximos passos

A secretária de Estado de Saúde, Cláudia Mello, anunciou que os doadores que realizaram testes no laboratório PCS Lab entre dezembro de 2023 e setembro deste ano serão retestados. Além disso, o ministério solicitou que todos os testes de doadores de órgãos sejam feitos exclusivamente pelo Hemorio e garantiu total atendimento especializado aos pacientes afetados.

Por fim, o laboratório PCS Lab afirmou que está conduzindo uma sindicância interna para apurar a situação e oferecerá suporte aos pacientes infectados. A defesa dos sócios do laboratório rejeitou as acusações de esquema criminoso e se comprometeu a cooperar com as autoridades.

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