
Exercício anual de ataque nuclear da Otan gera críticas da Rússia
O exercício anual de ataque nuclear da Otan teve início nesta segunda-feira (14), marcando a estreia da Finlândia, que aderiu à aliança militar ocidental no ano passado. A Rússia, por sua vez, criticou a realização dos exercícios, alegando que isso poderia levar a uma escalada de tensões em um cenário já conturbado, sobretudo devido ao conflito ucraniano.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que “tais exercícios levam a nada menos do que mais escalada de tensões” em um momento em que a guerra na Ucrânia continua em curso. No entanto, as críticas da Rússia parecem ignorar o fato de que o país também realizou um exercício de emprego de armas nucleares táticas neste ano, posicionando bombas do tipo na vizinha Belarus.
O presidente russo, Vladimir Putin, está revisando sua doutrina de uso dessas armas, indicando a possibilidade de empregá-las em caso de ataques convencionais à Rússia. Essa recente movimentação da Rússia vem em meio às tensões crescentes com o Ocidente, especialmente após a Guerra da Ucrânia.
Além disso, a Otan também tem feito ajustes em suas políticas de armamento, com planos de expandir seu arsenal de ogivas táticas em países europeus. Os Estados Unidos, por sua vez, iniciaram o desmonte de acordos de controle de armas durante a gestão de Donald Trump.
O ambiente de segurança nuclear global está em evidente deterioração, o que foi ressaltado pela concessão do prêmio Nobel da Paz deste ano a uma entidade japonesa que luta pelo fim das armas nucleares.
A edição 2024 do exercício Steadfast Noon envolverá cerca de 60 aviões de 13 membros da Otan, que utilizarão bases em países como Reino Unido, Dinamarca e Holanda. O foco da simulação será o mar do Norte, evitando o Báltico para não provocar diretamente a Rússia.
Com a participação da Finlândia e a recente adesão da Suécia à Otan, o exercício Steadfast Noon representa uma mudança significativa na postura neutra desses países. O secretário-geral da Otan, o holandês Mark Rutte, também estreia no comando do exercício ao lado da Bélgica.
No Steadfast Noon, são treinadas diversas capacidades de ataque nuclear, promovendo a coordenação entre diferentes forças militares e aprimorando as estratégias de defesa. A realização desses exercícios reflete a complexidade das relações geopolíticas atuais e a crescente preocupação com a segurança nuclear no mundo.