
Análise da Representatividade de Pessoas Negras em Cargos de Elite do Executivo Federal
Um levantamento realizado pela República.org, instituto dedicado ao debate de políticas públicas de gestão de pessoas no serviço público, revelou que os cargos de diplomatas, médicos e analistas da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) apresentam a menor representatividade de pessoas negras dentro da elite do funcionalismo do Executivo federal.
De acordo com os dados antecipados à Folha, no Itamaraty, apenas 5,1% dos diplomatas no posto de ministro de primeira classe são pessoas negras, representando apenas 6 dos 124 ocupantes do cargo. O levantamento também apontou que os médicos e analistas da CVM possuem respectivamente 9,4% e 13,5% de negros em seus quadros, evidenciando a falta de diversidade nestas áreas estratégicas do governo.
Além disso, o estudo também destacou a falta de equidade salarial entre pessoas brancas e negras no serviço público. Em março de 2024, mais de 50% das pessoas brancas recebiam acima de R$ 12.862, enquanto as pessoas negras recebiam em média R$ 9.916, refletindo as disparidades salariais existentes.
Programa afirmativo do Itamaraty
O Itamaraty foi o primeiro ministério a implementar um Programa de Ação Afirmativa para Pessoas Negras em 2002, com a distribuição de bolsas-prêmio aos aspirantes à carreira diplomática. Desde então, o ministério tem buscado aumentar a representatividade negra em seus quadros, cumprindo a cota de 20% de pessoas negras em seus concursos de admissão.
O Instituto Rio Branco, responsável pela formação dos diplomatas, também tem tomado medidas para aumentar a representatividade negra em seus cursos e concursos, visando uma maior diversidade no corpo diplomático brasileiro.
No entanto, apesar dos esforços do Itamaraty e de outras instituições do governo, a inclusão e ascensão de pessoas negras em cargos de liderança ainda apresentam desafios de médio e longo prazo. A diversidade racial nos cargos intermediários e iniciais tem aumentado, mas a presença de pessoas negras nos cargos de alta chefia continua sendo limitada.
O Ministério de Gestão e Inovação em Serviços Públicos, responsável pela folha de pagamento e política de contratação do governo federal, não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre medidas que podem ser adotadas para aumentar a representatividade de pessoas negras no serviço público.