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Em um cenário geopolítico cada vez mais complexo, o recente golpe desferido por Israel contra o Hezbollah representa um divisor de águas nas relações internacionais entre países chave como Irã, Rússia, Coreia do Norte e China. Para compreender a gravidade e as implicações desse episódio, é essencial contextualizá-lo dentro da disputa mais ampla que substituiu a Guerra Fria como estrutura dominante nas relações globais da atualidade.
A invasão israelense pelo Hamas em outubro foi o estopim para o que está sendo denominado como o pós-pós-Guerra Fria, uma batalha entre a “coalizão de inclusão” liderada por países democráticos que buscam uma maior integração econômica e colaboração global, e a “coalizão de resistência” liderada por regimes autoritários como Rússia, Irã e Coreia do Norte, que utilizam a oposição aos valores ocidentais para justificar a militarização e repressão interna.
De maneira estratégica, a China se mantém neutra, equilibrando sua dependência econômica da coalizão de inclusão com seus interesses autoritários compartilhados com a coalizão de resistência. Os conflitos na Ucrânia, Faixa de Gaza e Líbano devem ser analisados nesse contexto global de disputa. A Rússia tenta bloquear a entrada da Ucrânia no Ocidente, enquanto o Irã, Hezbollah e Hamas lutam contra a normalização das relações entre Israel e Arábia Saudita, que ampliaria significativamente a coalizão de inclusão no Oriente Médio.
O impacto do golpe israelense contra o Hezbollah foi sentido não apenas no Líbano, mas também entre os países árabes sunitas e cristãos, que há muito tempo repudiam a influência e controle do grupo apoiado pelo Irã. A reação popular nas redes sociais demonstrou o desejo de separar o Hezbollah do governo libanês e buscar estabilidade na região.
A administração Biden-Kamala busca fortalecer a coalizão de inclusão por meio de alianças estratégicas com países-chave em várias regiões do mundo. A proposta de normalização entre Israel e Arábia Saudita é vista como um marco para consolidar a postura da coalizão contra a resistência representada pelo Irã, Hezbollah e seus aliados.
No entanto, o desafio agora recai sobre o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que precisa não apenas sustentar a ação militar no Líbano, mas também avançar na diplomacia, estabelecendo diálogos sobre uma solução de dois Estados com os palestinos moderados. Esse movimento poderia isolar completamente as forças de resistência na região, representando um golpe político de igual magnitude ao golpe militar recente.
Portanto, a luta entre inclusão e resistência se intensifica, exigindo coragem política dos líderes envolvidos para promover mudanças significativas na região e além.