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Resistência e Avanços: A presença feminina na narração esportiva
A presença de mulheres na narração de jogos de futebol ainda gera resistência por parte do público, segundo narradoras e pesquisadoras do esporte. Comentários depreciativos eram frequentes em redes sociais antes do bloqueio do X no Brasil, sugerindo que mulheres deveriam narrar apenas jogos femininos ou que apenas uma audiência específica apreciava suas vozes.
A Folha entrevistou diversas profissionais do ramo esportivo, incluindo a jornalista Denise Mirá, que destacou a luta por espaço em um ambiente historicamente dominado por homens. Ela ressaltou a importância de mudanças na estrutura da sociedade para ampliar a presença feminina no esporte e na narração.
Apesar dos desafios, figuras como Luciana Mariano, primeira narradora de TV no Brasil em 1997, e Renata Silveira, primeira mulher a narrar uma Copa do Mundo na TV aberta em 2022, representam o crescente protagonismo feminino no cenário esportivo. A participação feminina na TV Globo saltou de 15% em 2018 para 43% em 2024, com avanços significativos, porém ainda lentos, na inclusão de narradoras.
Katia Rubio, coordenadora do Grupo de Estudos Olímpicos da USP, aponta que a inclusão deve ir além de uma estratégia de marketing, garantindo oportunidades igualitárias para as mulheres na mídia esportiva. A professora Soraya Barreto Januário alerta para a possibilidade de retrocessos na inclusão feminina, caso a questão não seja tratada com seriedade.
Nas Olimpíadas de Paris, Natalia Lara, da TV Globo, se destacou como narradora em diversas modalidades, evidenciando o potencial das mulheres no ramo esportivo. Apesar das críticas e resistências, Natalia mencionou uma melhoria gradual e a necessidade de naturalizar as vozes femininas na narração esportiva.
Desafios e Perspectivas
A TV Globo reafirmou seu compromisso com a diversidade e inclusão na cobertura esportiva, respondendo a críticas e promovendo a presença de narradoras em seus canais e plataformas. A jornalista Alana Ambrósio, atuante na NBA no Brasil, ressaltou o caráter de gênero presente nas críticas dirigidas às mulheres que trabalham com esporte.
O colunista Juca Kfouri reconhece o machismo estrutural no Brasil e destaca a importância de promover a inclusão feminina na mídia esportiva. Katia Rubio lamenta a limitação das mulheres à cobertura de “esportes femininos” e defende oportunidades iguais para todas as modalidades esportivas.
Embora haja avanços desde os anos 1970, com mais mulheres conquistando espaço na narração esportiva, ainda existe um longo caminho a percorrer. A luta pela representatividade e igualdade de oportunidades continua, vislumbrando um futuro mais inclusivo e diversificado no cenário esportivo.