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Terreiro Angurusena Dya Nzambi: um refúgio espiritual e cultural no Recôncavo Baiano é liderado por Mãe Áurea, falecida aos 90 anos

Terreiro Angurusena Dya Nzambi: Centro Cultural e Religioso em São Francisco do Conde (BA)

No largo da Cubamba, em São Francisco do Conde (BA), uma casa azul e branca se destaca como um abrigo espiritual para muitos moradores locais. Fundado em 1969 por Mãe Aurinha, o terreiro Angurusena Dya Nzambi não apenas cumpre sua função como espaço religioso, mas também se destaca como um importante centro cultural no Recôncavo Baiano.

Todo dia 27 de setembro, uma tradição se repete no local com o tradicional caruru de são Cosme e são Damião. Centenas de quilos de frango e quiabo são preparados, pipoca e doces são servidos, e a comunidade se reúne para comer, dançar ao som do samba de roda e apreciar a beleza do Lindroamor Axé.

Em 1993, a comunidade do terreiro de Mãe Aurinha resgatou o Lindroamor, um folguedo popular que estava esquecido há mais de quatro décadas. Além disso, o grupo de samba de roda Raízes de Angola, vinculado à casa, chegou a se apresentar na França, levando a cultura baiana para além das fronteiras.

Em entrevista, Alva Célia Medeiros, filha de Mãe Aurinha com 68 anos, ressalta a importância do trabalho social realizado no terreiro: “Nós acreditamos que um terreiro de candomblé vai além da religião. É um espaço social e cultural que impacta positivamente nossa comunidade.”

A história de Valdelice Áurea, nascida em 1934 no povoado Dom João, reflete o compromisso com a espiritualidade e o auxílio ao próximo. Após uma infância difícil e o incentivo de um namorado frequentador de centro espírita, Áurea se dedicou à vida espiritual e fundou seu próprio terreiro, que se tornou um refúgio para muitos na região.

Mãe Áurea, como era conhecida, faleceu aos 90 anos em decorrência de insuficiência cardíaca. Deixa um legado de solidariedade e conhecimento, tendo impactado a vida de muitos como líder religiosa, conselheira e incentivadora da cultura popular.

Seu legado é mantido por suas filhas, netos, bisnetos e pela comunidade do terreiro, que continua ativo sob os cuidados da primogênita, Alva. O espírito de Mãe Áurea permanece vivo no Angurusena Dya Nzambi, um espaço que transcende as barreiras religiosas e culturais, promovendo a união e o respeito pela diversidade.

Fonte: coluna.obituario@grupofolha.com.br

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