
Doenças Cardiovasculares: Um Alerta para a Saúde Pública
As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo, representando quase um terço dos óbitos no Brasil. Entre elas, o infarto e o AVC se destacam como as mais comuns.
Anualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) gasta mais de R$ 1 bilhão em procedimentos cardiovasculares, conforme dados da Estatística Cardiovascular 2023, uma pesquisa realizada por instituições brasileiras.
No entanto, apesar de ser um problema tão prevalente, muitas pessoas desconhecem os principais fatores de risco para doenças cardíacas e, mesmo com acesso a diagnósticos e tratamentos, não conseguem controlar adequadamente essas condições.
Essas constatações foram feitas com base em dois estudos apresentados durante o 44º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), realizado em São Paulo no final de maio.
Uma pesquisa realizada pela Socesp com 2.764 indivíduos revelou que a maioria possui pouco conhecimento sobre os fatores de risco cardíaco básicos. Apenas uma pequena porcentagem dos entrevistados associou diabetes, colesterol alto, obesidade, hipertensão, falta de atividade física e alimentação não saudável como riscos para doenças cardiovasculares.
Conscientização e Educação em Saúde
Os resultados preocupam os especialistas, que apontam a falta de informação de qualidade como parte do problema. O cardiologista Pedro Gabriel Melo de Barros e Silva, diretor-científico do congresso, ressalta a necessidade de programas educativos abrangentes para alertar a população sobre a importância do controle dos fatores de risco cardiovascular.
Um dos principais fatores de risco, o colesterol elevado, é muitas vezes subestimado pela população. A Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 identificou uma prevalência de 14,6% de colesterol alto entre os brasileiros, porém apenas 11% dos entrevistados associaram essa condição ao risco cardiovascular.
É fundamental realizar exames preventivos, como aferição da pressão arterial e análises laboratoriais, para identificar precocemente possíveis problemas cardiovasculares. O hábito de fumar, o sedentarismo, a má alimentação e outros fatores de risco devem ser controlados para prevenir doenças graves como o infarto e o AVC.
Controle Inadequado da Doença Cardíaca
Outro estudo apresentado durante o congresso da Socesp revelou que a maioria dos pacientes com doenças cardiovasculares diagnosticadas não conseguem controlar efetivamente os fatores de risco. A falta de adesão ao tratamento, a não realização de exercícios físicos regulares e o controle insuficiente do colesterol e da pressão arterial são apontados como principais desafios.
Diante desse cenário, é essencial que tanto os profissionais de saúde quanto os pacientes estejam engajados no tratamento e na prevenção das doenças cardiovasculares. A conscientização, a educação em saúde e o acompanhamento médico adequado são fundamentais para reduzir a incidência dessas condições e melhorar a qualidade de vida da população.