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Decisões judiciais na Operação Integration expõem divergências entre Polícia Civil e Ministério Público em caso de lavagem de dinheiro.

Decisões judiciais na Operação Integration expõem divergências em Pernambuco

As últimas decisões judiciais no âmbito da Operação Integration, que resultaram nas ordens de prisão da influenciadora Deolane Bezerra e do cantor Gusttavo Lima, revelaram divergências de posicionamento entre a Polícia Civil e o Ministério Público de Pernambuco em relação às medidas a serem tomadas contra os envolvidos.

As investigações têm como foco uma suposta organização criminosa envolvida em jogos ilegais e lavagem de dinheiro, com movimentações financeiras que chegam a quase R$ 3 bilhões.

O desenrolar do processo judicial também evidenciou discrepâncias entre a juíza Andréa Calado da Cruz, responsável pela primeira instância, e o desembargador Eduardo Guilliod Maranhão, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ-PE).

A divergência entre os magistrados ficou clara na decisão de Guilliod, que revogou a ordem de prisão de Gusttavo Lima. O desembargador destacou as datas da operação policial e da viagem do cantor para a Grécia, alegando que não houve participação do artista na fuga do casal dono da Vai de Bet, argumento fundamental para a prisão.

“As justificativas usadas para decretar a prisão preventiva do réu e impor outras medidas cautelares são apenas suposições e considerações genéricas”, afirmou Guilliod.

Ao decretar a prisão de Gusttavo Lima, a juíza atendeu ao pedido da Polícia Civil e negou os argumentos do Ministério Público, que sugeriu o envio das investigações sobre o cantor para a Promotoria da Paraíba, onde reside parte dos investigados, como o casal José André da Rocha Neto e Aislla Rocha.

O Ministério Público também solicitou a substituição das prisões preventivas por outras medidas cautelares, alegando que o tempo necessário para novas diligências resultaria em constrangimento ilegal. Esse argumento foi rejeitado pela juíza, mas acatado pelo desembargador, que determinou a soltura de Deolane e outros 16 investigados.

Em uma das decisões, o desembargador destacou a falta de denúncia do Ministério Público contra os envolvidos, ressaltando a fragilidade das acusações quando o órgão não demonstra convicção.

Em 3 de setembro, a juíza decretou a prisão de Deolane e outros envolvidos, com concordância do Ministério Público e da Polícia Civil. Meses depois, o desembargador concedeu prisão domiciliar à influenciadora, levando em consideração sua primariedade e responsabilidades familiares.

No entanto, após Deolane violar uma das condições da prisão domiciliar ao falar com a imprensa, a juíza determinou sua nova prisão.

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