Estudantes indígenas reivindicam criação de universidade própria durante encontro em Brasília
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Durante o encontro, os estudantes participaram de diversas reuniões com representantes dos Poderes Públicos. Em audiências no Senado, foi debatida a questão das cotas nas universidades, além da criação de uma universidade voltada exclusivamente para os povos indígenas, levando em consideração suas particularidades culturais e educacionais. Uma carta de reivindicações, elaborada por coletivos indígenas de 25 universidades, também foi entregue durante o evento.
Na Câmara dos Deputados, os estudantes indígenas tiveram a oportunidade de debater com parlamentares a importância da presença indígena no ensino superior, destacando a ciência indígena como uma ferramenta de luta e promoção da equidade. Para Manuele Tuyuka, presidente da AAIUnB, é fundamental trazer a diversidade e a identidade indígena para dentro das universidades.
Alisson Cleomar, estudante de medicina da UnB, enfatizou os desafios enfrentados por estudantes indígenas, como o preconceito dentro das universidades. Mesmo com obstáculos, Alisson conta com o apoio da coletividade indígena para seguir seus estudos. O mesmo acontece com Thoyane Fulni-ô Kamayurá, estudante de engenharia florestal que precisou interromper os estudos devido à gravidez.
Para Yonne Alfredo, estudante de biologia na Unicamp, deixar a aldeia foi o maior desafio. Mesmo com apoio dos veteranos, Yonne precisou de muita determinação para permanecer longe de seus parentes e adaptar-se à vida na cidade. No entanto, ela planeja retornar à aldeia após concluir os estudos, com o objetivo de contribuir para a comunidade.
O XI ENEI foi um importante espaço de diálogo e reflexão sobre as questões que envolvem a educação indígena no Brasil, destacando a importância da preservação da cultura e identidade dos povos originários.