Força de segurança atua como segurança privada em Terra Indígena no MS, denuncia Luis Ventura do Conselho Indigenista Missionário

De acordo com Ventura, as suspeitas recaem sobre policiais militares como os possíveis autores dos disparos que vitimaram não apenas Neri, mas outros indígenas presentes no local. O secretário também trouxe à tona o trágico episódio envolvendo Marçal de Souza Tupã’i, líder guarani kaiowá, que foi assassinado a tiros há quatro décadas na mesma região.
Ventura critica a atuação da Polícia Militar na área, afirmando que a presença dos agentes não se justifica pela decisão judicial do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), que não determinou nenhum despejo ou reintegração de posse. Ele destaca a postura exibida pelos policiais durante a Missão de Direitos Humanos organizada por grupos solidários aos povos indígenas, onde percebeu um tratamento hostil e de desdém em relação às comunidades locais.
O secretário do Cimi ressalta ainda que a situação de tensão na TI Nhanderu Marangatu reflete a morosidade do Estado em demarcar terras indígenas, alimentando assim a violência contra essas populações. A Comissão Arns também emitiu uma nota de repúdio diante da escalada de violência e falta de assistência aos indígenas, enquanto a deputada federal Célia Xakriabá acionou o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, em busca de medidas urgentes de proteção.
Em contrapartida, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul negou a existência de qualquer ordem de reintegração de posse na região, reforçando o compromisso em manter a paz no campo. A reportagem aguarda pronunciamentos adicionais das autoridades competentes e das partes envolvidas, enquanto a comunidade guarani kaiowá do TI Nhanderu Marangatu segue em busca de justiça e segurança.