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Problemas causados pela escassez hídrica na produção de café
A forte escassez hídrica vivida neste ano em regiões produtoras de café causou a perda de folhas, que murcharam, e ameaça até provocar a morte de plantas em lavouras de Minas Gerais e São Paulo, que concentram 67% da produção brasileira. A aridez pode diminuir a safra e a qualidade dos grãos.
Principal produtor do mundo, o Brasil sofre com a seca em suas áreas de produção, que chega a 150 dias em algumas regiões, e vê concorrentes também sofrendo, como o Vietnã, que poderá ter sua safra reduzida em 10% devido ao calor.
Os incêndios registrados em áreas de produção desde a segunda quinzena de agosto, embora sejam apontados como localizados, também contribuem para pressionar os preços.
O coordenador do departamento de geoprocessamento da Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé), Guilherme Vinícius Teixeira, destacou que a crise hídrica tem afetado as lavouras, submetendo-as ao estresse térmico devido às altas temperaturas. “Praticamente estamos com 150 dias somados a partir de março sem registro significativo de volumes de chuva. As plantas estão ativando sistemas de defesa fisiológica, perdendo folhas e murchando. Em casos mais severos, está ocorrendo a redução do metabolismo das plantas, podendo até chegar à morte”, explicou.
Em agosto, houve queda de temperatura, geadas pontuais e rajadas de vento, que acarretam necrose de tecidos vegetais. A cooperativa, que reúne mais de 20 mil cooperados, alerta para perdas consideráveis na safra 2025 se as condições climáticas desfavoráveis persistirem.
Na região de atuação da cooperativa, as áreas para a cultura do café apresentam menor risco de incêndios em comparação com culturas como a cana. No entanto, os incêndios na Mogiana paulista, por exemplo, causaram perdas pontuais para alguns produtores.
A Semana Internacional do Café, que será realizada em novembro em Belo Horizonte, terá como tema principal “Como o clima, a ciência e os novos consumidores estão moldando o futuro do café”. O clima será o centro das discussões, abordando questões como qualidade do café, abastecimento e produtividade.
A escassez hídrica e outros problemas climáticos estão impactando a produção de café no Brasil e em outros países, levando o setor a buscar soluções para garantir a sustentabilidade e continuidade da atividade.