
Horário de verão de volta?
O governo Lula (PT) avalia retomar o horário de verão para evitar um racionamento de energia no país, que está no horizonte em razão da seca extrema.
A estiagem é a maior já registrada no Brasil e ocorre desde 2023. Hoje, 59% do território enfrenta falta de chuvas. As duas últimas grandes secas foram em 2015 e 1997.
Com rios em níveis baixos, as usinas hidrelétricas produzem menos energia, e o risco de racionamento entra em cena.
Entenda: o objetivo de adiantar os relógios na primavera e no verão era garantir uma economia de eletricidade com mais iluminação natural no começo da noite.
O consumo disparava entre 18h e 20h, horário em que as pessoas retornam do trabalho, ligam as luzes da casa e tomam banho com chuveiro elétrico.
A medida, que estava em vigor desde 1985, foi extinta em abril de 2019 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que alegou o fim dessa vantagem.
Sim, mas… Novos hábitos de consumo, como o uso do ar condicionado, levaram os picos de energia para o meio da tarde em algumas regiões do país.
Estudos do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) confirmaram, em 2021, que o horário de verão não oferece mais economia de energia.
Vai voltar? A informação sobre a possível volta da medida foi publicada pelo Poder 360 e confirmada pela Folha.
Não há previsão de quando isso poderia ocorrer, nem se de fato será implementada. Mais análises sobre a viabilidade da economia de eletricidade estão sendo realizadas.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, é favorável à retomada. Segundo ele, o impulso ao turismo e ao consumo em bares e restaurantes também conta a favor.
Analistas ouvidos pela reportagem da Folha afirmam que a volta pode, sim, ajudar a preservar o sistema elétrico, ainda que a economia não seja tanta quanto antes.
Seca recorde. O risco de falta de energia elétrica é um dos reflexos da seca no Brasil. Para evitar apagões, o governo autorizou o acionamento de mais usinas térmicas, que são caras e poluentes, além de ter elevado a tarifa com a classificação de bandeira vermelha.
Dependência das águas. O Brasil usa principalmente hidrelétricas para produzir energia, fonte considerada limpa, e localizadas em sua maioria no sudeste e sul.
Em julho, elas representaram 56% da geração, seguidas pelas usinas térmicas com 20%, eólicas com 16% e solar com 7%. Os dados são da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).
Cannabis em alta
O uso recreativo da maconha já é legalizado em cerca de metade dos Estados Unidos, mas as empresas do setor ainda aguardam por um “boom”.
Empresários estão ansiosos pela mudança na classificação da planta que deve impulsionar a formalização do mercado e estimular as vendas.
Legalização parcial. Em alguns dos 24 estados onde é permitida, a maconha recreativa já possui um mercado regulamentado.
Na Califórnia e no Colorado, por exemplo, uma indústria de produtores e marcas tem licença para fabricar e vender cigarros enrolados, folhas, flores, bebidas e até alimentos com efeito psicoativo.
A proposta. O governo Biden defende que a maconha seja considerada uma droga leve, independentemente da legislação de cada estado. A ideia recebeu apoio também do candidato Donald Trump.
Desde 1970, a cannabis pertence ao grupo das drogas mais fortes, junto da heroína, do ecstasy e do LSD.
A nova classificação colocaria a maconha ao lado de drogas como cetamina e analgésicos com codeína.
Vendas em alta. Se for “rebaixada”, a produção e venda nos estados legalizados teriam menor taxação, e toda a indústria alcançaria empréstimos melhores no mercado financeiro.
As empresas também poderiam fazer comércio interestadual de produtos.
Na prática, a mudança incentivaria o setor apenas onde já é legalizado.
Enquanto isso… A reclassificação depende da DEA (agência de controle de drogas), que deve discutir o assunto em dezembro.
Até lá, as empresas estão tendo que se adaptar e diversificar, como investir em cervejas e em produtos à base de cânhamo, inclusive cigarros.
Investidores de olho. A possibilidade de mudança regulatória, aliada aos esforços de diversificação, renova o interesse de Wall Street no setor de cannabis.
Inflação argentina sobe no mês, mas cai no ano
A inflação na Argentina acelerou em agosto, subindo 4,2%. Em julho, os preços haviam aumentado 4,0%.
↳ Em 12 meses, há avanços: a alta é de 237%, abaixo dos 266% registrados no mês anterior.
↳ Ainda assim, a inflação continua sendo uma das mais altas do mundo. No Brasil, o indicador de 12 meses está em 4,2%, por exemplo.
Crise. A inflação elevada persiste apesar do colapso no consumo, resultado do corte de gastos implementado pelo presidente Javier Milei desde que assumiu a presidência e iniciou um ajuste fiscal. A economia contraiu nos últimos meses.
Mesmo com a desaceleração da inflação, o país tornou-se mais caro em dólares tanto para os locais quanto para os turistas.
“Motosserra”. Pensões, salários e benefícios sociais foram congelados e, em alguns casos, extintos. Obras públicas também foram paralisadas.
O desemprego agora substituiu a inflação como a principal preocupação dos argentinos, e a carne vermelha, um dos alimentos mais tradicionais do país, está escassa no prato.
↳ Nesta quarta-feira, o Congresso manteve o veto de Milei a uma lei que previa um aumento de 8% para os aposentados, uma vitória para o presidente.
Sim, mas… As medidas garantiram que as contas do país ficassem no azul no primeiro trimestre, pela primeira vez em 16 anos.
O equilíbrio fiscal é considerado essencial para o país voltar a receber investimentos, recompor as reservas de dólares e reduzir ainda mais a inflação.
A popularidade de Milei também sobrevive, apesar dos profundos cortes de gastos e do aumento do custo de vida.
Startup da semana: Altscore
A startup: fundada no Equador, criou um sistema para que grandes companhias, de qualquer setor, atuem como instituições financeiras e ofereçam empréstimos a empresas que são suas clientes.
Criada em 2021, a fintech opera em toda a América Latina e planeja chegar ao Brasil nos próximos meses.
Em números: captou R$ 47 milhões em rodada Series A nesta semana. Entenda as etapas de investimento.
Quem investiu: o investimento foi liderado pela americana Haymaker Ventures, com participação da BuenTrip Ventures, Caffeinated Capital, FarOut Ventures, TechStars e também do fundo Kamay Ventures.
O Kamay pretende viabilizar a chegada da Altscore no Brasil.
Que problema resolve: o empréstimo reduz a necessidade da busca por crédito em bancos ou outros tipos de financiamento, o que ajuda no desenvolvimento das empresas e saúde financeira.
A plataforma da Altscore usa inteligência artificial para calcular o risco das empresas que solicitam os empréstimos às grandes fornecedoras.
Por que é destaque: o acesso ao crédito é considerado fundamental para o crescimento de uma empresa. Isso é ainda mais relevante em países com juros altos, como os da América Latina.