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Conglomerados de mídia driblam regulação para entrar no mercado de apostas esportivas com parcerias internacionais, aponta investigação.

Empresas de Comunicação se Unem ao Mercado de Apostas

Recentemente, conglomerados por trás das emissoras Globo e SBT solicitaram autorização ao Ministério da Fazenda para adentrar no mercado de apostas. No entanto, a regulação estabelecida pelo governo impede que as casas de apostas adquiram direitos de transmissão e reprodução de eventos esportivos.

Para contornar essa restrição, as empresas encontraram uma maneira de burlar a regulamentação, fechando acordos com multinacionais. Profissionais de alto escalão das empresas de comunicação foram colocados como líderes nos sites de apostas.

Um exemplo disso é o Grupo Globo, detentor dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, que estabeleceu uma parceria com a empresa Leo Vegas, uma subsidiária dos cassinos MGM com sede na Suécia. Essa parceria foi concretizada utilizando os CNPJs do site Cartola e da Globo Ventures.

Por outro lado, Patrícia Abravanel, herdeira do SBT e apresentadora da emissora, irá liderar a marca TQJ – “Todos Querem Jogar”, em parceria com a britânica OpenBet, enquanto o SBT transmite partidas da Libertadores e da Champions League.

De acordo com especialistas em leis de apostas, a legislação vigente proíbe que agentes operadores de apostas adquiram direitos de transmissão esportiva para evitar conflitos de interesse. No entanto, a possibilidade de empresas de mídia se tornarem acionistas minoritários nas apostas online coloca em questão a eficácia dessa regulação no Brasil.

É notável que, em outros países como Estados Unidos, Reino Unido e Austrália, as empresas de mídia possuem controle sobre as casas de apostas, enquanto na França e Alemanha são impostas restrições mais rígidas para evitar conflitos de interesse.

Diante desse cenário, o Grupo Globo, que afirmou possuir participação minoritária na BetMGM, não deve enfrentar dificuldades para obter a licença da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). O registro do negócio revela um investimento significativo por parte do conglomerado, que detém 49,97% da empresa com um capital social expressivo.

Por outro lado, o Grupo Silvio Santos também está adentrando nesse mercado, com a TQJ, revelando uma estratégia semelhante à adotada pela concorrência. A transparência e o cumprimento das normas regulatórias são princípios fundamentais para essas empresas, que buscam explorar uma nova vertente de negócios.

O processo de licenciamento para atuação no mercado de apostas é minucioso e envolve a análise de todos os envolvidos na cadeia societária da empresa. A atribuição do Conar como um associado obrigatório para as empresas do setor indica a preocupação com a autorregulamentação publicitária nesse mercado em expansão no Brasil.

Em suma, a entrada das empresas de comunicação no mercado de apostas inaugura uma nova era nos negócios midiáticos do país, criando um cenário desafiador com potencial para transformar as dinâmicas da indústria de entretenimento e apostas esportivas.

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