
O Fenômeno da Teologia do Coaching na Política
No evento “Chamado dos Generais do Reino”, promovido por Pablo Marçal em 2021, uma cena marcante chamou a atenção de todos. Uma cadeirante da plateia foi instigada a imaginar-se plena, dançando com o Senhor, mas ao tentar se levantar com ajuda, não conseguiu se sustentar sobre as pernas. Essa imagem, além de se tornar parte da biografia de Marçal, gerou controvérsias e críticas dos detratores.
Atual postulante a prefeito de São Paulo pelo PRTB, Marçal não se considera mais um coach, mas foi através dessa função que construiu sua persona virtual e impulsionou sua candidatura. Mesclando linguagem bíblica com o dialeto do coaching, especialistas e pastores apontam para o surgimento de uma nova vertente, a Teologia do Coaching.
Com elementos religiosos em sua oratória motivacional, Marçal articula um repertório cristão sem se declarar explicitamente evangélico. Ele enfatiza que para ele o cristianismo é um estilo de vida, incorporando uma abordagem meritocrática e exibindo sua ascensão social como exemplo de sucesso.
A antropólogo Taylor Pedroso de Aguiar destaca como Marçal entrelaça conceitos cristãos em seu discurso político, criando uma atmosfera que mescla religião, coaching e política. O candidato promove a ideia de honrar as pessoas ao mesmo tempo em que utiliza versículos bíblicos para embasar suas propostas de políticas públicas.
Essa nova narrativa, conhecida como Teologia do Coaching, é analisada pelo teólogo Ranieri Costa, que aponta para a convicção de ser um protagonista infalível e a recusa em admitir a possibilidade de fracasso. Marçal se posiciona como um “self-made man” que determina sua vitória antes mesmo de conquistá-la.
Essa abordagem teológica representa uma mutação da Teologia da Prosperidade, inserindo elementos da psicologia secular e humanista. No entanto, a Teologia do Coaching também recebe críticas de líderes religiosos, que a enxergam como uma barganha materialista com Deus, distorcendo a essência espiritual do cristianismo.
Apesar das controvérsias e críticas, Pablo Marçal segue sua trajetória política, carregando consigo a marca da Teologia do Coaching. Sua abordagem única e polêmica continua dividindo opiniões e despertando debates sobre a relação entre religião, coaching e poder.