
O embate dos móveis: Lula é condenado a indenizar Bolsonaro por danos morais
Por Flávio da Silva Santos
Brasília, 09 de maio de 2026
A 17ª Vara Federal da Justiça do Distrito Federal proferiu decisão condenando o governo do ex-presidente Lula (PT) a pagar uma indenização de R$ 15 mil ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro por danos morais relacionados à polêmica dos móveis do Palácio da Alvorada.
Segundo a defesa do casal Bolsonaro, durante o mandato presidencial entre 2019 e 2022, optaram por utilizar seus próprios móveis na residência oficial, deixando os pertencentes ao acervo do palácio em um depósito. No entanto, alegaram que Lula fez declarações acusando-os de terem “levado” e “sumido” com 83 móveis, insinuando um desvio de bens públicos.
O juiz Diego Câmara, responsável pela sentença, destacou que os itens em questão sempre estiveram sob a guarda da União e que as declarações de Lula causaram dano à imagem e reputação do casal Bolsonaro. A Advocacia-Geral da União informou que recorrerá da decisão.
A “guerra dos móveis” teve início em 2023, quando Lula reclamou publicamente das condições precárias em que teria encontrado as residências oficiais do Alvorada e da Granja do Torto. Durante um encontro com jornalistas, ele afirmou que Bolsonaro e Michelle “levaram tudo”, alegando um prejuízo ao patrimônio público.
O embate entre os ex-presidentes em relação aos móveis do Palácio da Alvorada ainda resultou em gastos significativos por parte do novo governo, que investiu em móveis de luxo como forma de reposição dos itens supostamente desaparecidos.
Em março deste ano, a Presidência da República anunciou ter localizado todos os 261 bens do patrimônio do Palácio da Alvorada que estavam supostamente desaparecidos, encerrando assim a controvérsia iniciada nos anos anteriores.