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A tentativa de linchar Moraes pelo bolsonarismo e parte da imprensa não gera engajamento esperado, resultando em possível efeito contrário.

Análise jornalística dos últimos acontecimentos políticos

A dobradinha de parte da imprensa com o bolsonarismo na tentativa de linchar Moraes também não provocou o efeito esperado. Deve-se ao menos especular se o tiro não saiu pela culatra. Nesses embates amalucados, parte dos fanáticos gosta de imaginar que seu líder é um herói destemido e solitário, que só tem de seu os fieis seguidores. Se a parceria não gerou repulsa, é certo que não resultou em engajamento.

O demiurgo do pesadelo não vive um bom momento. Há essa flopada na Paulista. No Rio, seu berço político, seu candidato será esmagado por Eduardo Paes (PSD), que deve vencer a eleição no primeiro turno. Em São Paulo, apareceu, um aventureiro correndo pela extrema-direita — de modo agora tolerado, mas entrou sem pedir licença. Também há vexame em Belo Horizonte.

REFLEXÕES
Eis uma boa oportunidade para a reflexão de todos, não é? Musk pôde testar o seu poder de incendiar o Brasil. Gostou, malucão? Com um pouco de juízo, Bolsonaro e seus fanáticos no Congresso desaceleram maluquices como anistia, por exemplo. Ou então levam o caso adiante: se aprovada, será declarada inconstitucional pelo Supremo. E eles farão o quê? Chamarão mais uma manifestação contra o… Supremo?

Nota para não esquecer: qualquer texto aprovado no Congresso, PEC ou projeto de lei, que resolva “conter” os poderes do tribunal será submetido ao juízo de constitucionalidade do próprio tribunal. Como se sabe, não adiante evocar o Artigo 142 para pôr tropas na rua. E, sim, podendo as fatias de jornalismo a que me referi refletir um pouco, não custa. Ou continuem na toada, sei lá: por ora, a aliança tem contribuído para fortalecer a unidade no tribunal.

E há uma outra especulação que não me parece desarrazoada. Esses que foram ontem à Paulista vivem de vender o caos na economia, como fazem alguns “duzmercáduz” e seus esbirros escrevinhadores. Os índices, no entanto, melhoraram, sem exceção, o que beneficia todos os estratos de renda. Há, sim, aquela parcela impermeável a qualquer boa notícia porque pautada pela ideologia. Mas pode ser que parcela dos antes “bolsonarizados” tenha se dado conta de que a tragédia não veio; na verdade, a vida melhorou. É cedo para dizer.

O fato é que Bolsonaro, depois deste 7 de setembro, está mais fraco do que estava no dia 6. Se o tamanho da manifestação era tido como um argumento para enfraquecer Xandão, então ele ficou mais forte.

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