
Profissional de saúde aplicou PMM em quantidades excessivas e em áreas inadequadas do rosto da mulher. De acordo com a Justiça do Distrito Federal, o médico “assumiu o risco do resultado” que resultou em “ofensa à integridade corporal e à saúde da paciente”.
Vítima passou por atendimento com Murakami em setembro de 2015 para a realização de uma bioplastia
no nariz ao preço de R$ 8 mil. Após ser submetida ao procedimento, a mulher sofreu trombose venosa
profunda, quadro que evoluiu para tromboembolismo pulmonar. A paciente chegou a ficar internada para cuidar da
saúde, mas ficou com uma “enfermidade incurável”, caracterizada por problemas respiratórios e alergias.
Médico aplicou PMMA sem observância da quantidade e dos locais recomendados pela área
médica para o uso do produto, entendeu a Justiça. “Com tais predicados [ter especialização em medicina
estética], conquanto tenha feito uso de substância autorizada pela Anvisa, é certo que o réu tinha, como de
fato ainda tem, conhecimento da necessidade de observância das recomendações para aplicação do PMMA no corpo
humano”, destacou a sentença.
Wesley Noryuki Murakami pode recorrer da decisão em liberdade. O UOL
procurou a defesa do médico para pedir posicionamento, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Quando usar PMMA. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recomenda que o
produto seja aplicado apenas em casos específicos de deformidades corporais provocadas por doenças e deve ser
aplicado por profissional de saúde com habilitação para o manuseio do polimetilmetacrilato.
Médico já havia sido condenado
Wesley sofreu condenação imposta pelo Tribunal de Justiça de Goiás pela acusação de
deformar o rosto de pacientes. A decisão proferida em novembro de 2023, considerou o profissional de
saúde culpado pelo crime de lesão corporal gravíssima contra nove vítimas.