
Em regiões como Bósnia e Herzegovina, Kosovo, Albânia e Macedônia do Norte, o islamismo é a religião majoritária, com muçulmanos representando uma parcela significativa da população local. Além disso, muitos dos que pertencem à etnia roma, conhecidos no Brasil como ciganos, também seguem essa fé.
De acordo com o professor Mehmet Hacisalihoglu, da Universidade Ludwig-Maximilians em Munique, a disseminação do islã nos Bálcãs foi um processo histórico gradual, levando cerca de 100 a 150 anos para se estabelecer. A conversão ao islamismo era incentivada, principalmente, por motivos econômicos, conforme apontam pesquisadores que estudam a região.
Segundo a professora emérita Gudrun Krämer, os otomanos, responsáveis por grande parte da expansão do islã nos Bálcãs, tinham como principal interesse a extração de recursos e territórios, em vez de uma expansão religiosa. Os conflitos na região estavam mais relacionados à luta por autonomia e preservação da identidade cultural dos grupos subjugados.
Ainda nos dias de hoje, a expansão do islã nos Bálcãs é alvo de controvérsias. A interpretação desse período histórico tem influência direta na convivência entre os diferentes grupos étnicos e religiosos na região, sobretudo diante de nacionalistas que enxergam a expansão do islã como parte de uma estratégia de dominação política.