46 quilombolas assassinados em disputa pela terra em 13 estados: Conaq revela dados alarmantes de violência e impunidade.

De acordo com o levantamento, em 29 dos registros (63%), as vítimas perderam suas vidas devido ao uso de arma de fogo, sendo que muitas delas foram executadas com tiros na nuca ou na cabeça, evidenciando a crueldade empregada nos homicídios. Além disso, o relatório destacou a brutalidade de mortes provocadas por força física puramente, como socos e chutes, e o uso de maquinário pesado, que resultaram em casos chocantes.
A autoria dos crimes também chama a atenção, com aproximadamente metade dos suspeitos ou responsáveis identificados sendo ex-companheiros, familiares ou conhecidos das vítimas, vizinhos, posseiros ou proprietários das terras em disputa, membros de organizações criminosas, assaltantes e até policiais militares ou agentes penitenciários. Esses dados sugerem que muitos dos assassinatos foram premeditados e encomendados, ampliando a gravidade das ocorrências.
Os estados que mais registraram assassinatos de quilombolas foram o Maranhão, a Bahia e o Pará, demonstrando a urgência de ações para proteger essas comunidades vulneráveis. A Conaq ressaltou também situações específicas de violência sistemática, como os homicídios na região da Baixada Maranhense e nos quilombos de Rio dos Macacos e Pitanga dos Palmares, na Bahia.
É importante destacar que quatro em cada dez vítimas eram lideranças ou pessoas vinculadas a elas, revelando a tentativa de silenciar aqueles que defendem a causa quilombola. A média de idade das vítimas, de 45 anos, ressalta a importância da juventude na linha de frente da luta, que enfrenta desafios e ameaças constantes.
A violência contra os quilombolas é impulsionada principalmente pelo conflito pela terra, seguido pela violência doméstica e familiar. A lentidão no processo de regularização fundiária e de titulação dos territórios quilombolas contribui para a intensificação do conflito e, consequentemente, para os assassinatos das lideranças.
Além das ameaças de morte e intimidações, os quilombolas também enfrentam a tática do incêndio criminoso, que tem sido utilizada para tentar expulsá-los de suas terras. A resistência e união dessas comunidades são fundamentais para enfrentar essas investidas e garantir a preservação de suas tradições e territórios.
Diante desses dados alarmantes, é urgente que o poder público e a sociedade como um todo se mobilizem para proteger e garantir os direitos dos quilombolas, combatendo a violência e a impunidade que assolam essas comunidades historicamente marginalizadas.