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Jornalismo Investigativo: Caso chocante de estupro na França
Uma série de crimes hediondos chocou a França ao longo de uma década, entre 2011 e 2020. Dominique, um homem aparentemente comum, usava um site já desativado, chamado coco.fr, para marcar encontros com homens que acabariam estuprando sua própria esposa, Gisèle. A vítima era dopada com um ansiolítico forte antes dos crimes e os estupradores eram orientados a não acordá-la, não usar perfume ou cigarro, aquecer as mãos e trocar de roupa na cozinha para evitar deixar vestígios no quarto.
A investigação revelou que pelo menos 92 estupros foram cometidos durante esse período, sendo que a situação se intensificou a partir de 2013, quando o casal se mudou para Mazan. Alguns acusados alegaram que pensavam se tratar de um casal ‘libertino’, mas a vítima negou veementemente essa afirmação, deixando claro que nunca praticou troca de parceiros.
Gisèle só descobriu os crimes em 2020, quando seu marido foi preso por filmar clientes em um shopping center. A polícia encontrou quase 4.000 imagens e vídeos da vítima sendo estuprada por dezenas de estranhos, enquanto ela estava inconsciente. O choque da descoberta levou Gisèle a desabafar, dizendo que se sentiu como uma “boneca de pano” e que estava “morta na cama”, mesmo com o corpo ainda quente.
O processo judicial é descrito como ‘difícil’, mas Gisèle decidiu que não tinha “nada do que se envergonhar”, buscando fazer do julgamento um exemplo do uso de medicamentos em estupros. Mesmo com a pressão para manter o caso em sigilo, a coragem da vítima em enfrentar a situação de frente surpreendeu a todos.
Em suas próprias palavras, Gisèle falou: “Falo por todas estas mulheres que estão drogadas e não sabem disso, em nome de todas estas mulheres que talvez nunca saibam [que estão sendo dopadas], para que mais mulheres não tenham que sofrer submissão química.”