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Exploração indígena e arrendamento de terras para cultivo de transgênicos no sul do Brasil gera polêmica entre líderes e cooperativas.






Reportagem

A busca por melhores condições de vida ensejou diferentes ilícitos, incluindo arrendamento e cultivo de transgênicos, notadamente no sul do país”, disse a Funai.

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de soja, que é usada em ração animal, biocombustíveis e alimentos processados. Dados comerciais da indústria mostram que dois terços da colheita do Brasil acabam nos mercados globais.

No Rio Grande do Sul, que tem uma população de 10,8 milhões, quase toda a colheita é vendida para cooperativas agrícolas, incluindo a Cotrijal Cooperativa Agropecuária e Industrial (Cotrijal) e a Cooperativa Tritícola Sarandi (Cotrisal), as duas maiores do Estado, de acordo com dois corretores de grãos.

A Reuters falou com quatro líderes indígenas, incluindo os caciques das reservas de Serrinha e Nonoai, duas das mais envolvidas no cultivo de soja no norte do Estado do Rio Grande do Sul, que disseram que os grãos cultivados em suas terras são vendidos para a Cotrisal e outras cooperativas agrícolas.

Mais três membros de comunidades indígenas no Rio Grande do Sul, que falaram sob condição de anonimato, também disseram à Reuters que a Cotrisal era uma grande compradora de soja cultivada por agricultores não indígenas em terras indígenas arrendadas.

“A gente sempre fez esse tipo de coisa, arrendamento contra a vontade, porque não tem como deixar os índios passarem fome”, disse José Oreste do Nascimento, que é o cacique em Nonoai, comunidade de cerca de 3.600 pessoas, há mais de quatro décadas.

Apesar da riqueza agrícola do Brasil, o cultivo de transgênicos e o arrendamento de terras indígenas têm sido alvo de debates e polêmicas. A Fundação Nacional do Índio (Funai) alertou para os ilícitos envolvidos nesse processo, destacando que a busca por melhores condições de vida tem levado a práticas controversas, como o arrendamento de terras para o cultivo de transgênicos, principalmente no sul do país.

O Brasil se destaca como o maior produtor e exportador mundial de soja, um produto essencial para diferentes setores, como a indústria de ração animal, biocombustíveis e alimentos processados. No entanto, a maioria da colheita acaba sendo destinada aos mercados globais, sendo comercializada por cooperativas agrícolas, como a Cotrijal e a Cotrisal, as quais concentram boa parte das atividades no Rio Grande do Sul.

A relação entre agricultores não indígenas e comunidades indígenas tem gerado controvérsias, com relatos indicando que parte da produção de soja cultivada em terras indígenas é comercializada por cooperativas como a Cotrisal. Líderes indígenas ressaltam a necessidade desse tipo de acordo para garantir a subsistência, mesmo que contrariando a vontade das comunidades.

Diante desse cenário, surge a discussão sobre a proteção dos direitos territoriais e culturais das comunidades indígenas, bem como a garantia de práticas agrícolas sustentáveis e respeitosas ao meio ambiente. A transparência nas relações comerciais e a promoção do diálogo entre os envolvidos são fundamentais para encontrar soluções que atendam tanto às necessidades econômicas quanto aos direitos dos povos originários.


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