
Abandonar ou concluir as obras de Angra 3: qual o melhor caminho?
Um estudo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) revelou que o valor para abandonar as obras de Angra 3 é quase tão alto quanto o custo de finalizá-las. De acordo com o relatório, o custo para desistir do empreendimento pode ultrapassar os R$ 21 bilhões, enquanto finalizá-lo é estimado em cerca de R$ 23 bilhões.
A retomada das obras depende das análises a serem feitas pelo governo, com base nesse estudo. O relatório aponta que a tarifa necessária para cobrir o investimento seria de R$ 653,31 por MWh, valor considerado inferior à média das térmicas do Sudeste, que é de R$ 665. A decisão final sobre o futuro de Angra 3 caberá ao CNPE (Conselho Nacional de Política Energética).
O presidente da Eletronuclear, Raul Lycurgo, afirmou que essa é uma etapa crucial para a continuidade da obra e destacou a importância da determinação da tarifa de comercialização da energia gerada pela usina. Ele demonstrou confiança de que as obras serão retomadas em breve, contribuindo para o fortalecimento do setor nuclear no Brasil.
Por outro lado, há questionamentos sobre os custos envolvidos em desistir de Angra 3. Ressalta-se que a obra se arrasta há 39 anos, foi paralisada após a Operação Lava-Jato e foi herdada pela Eletrobras. A privatização da companhia, finalizada em 2022, abriu caminho para a possível retomada das obras, que exigirá um aporte inicial de até R$ 5,2 bilhões, com parte dos recursos vindo do Tesouro Nacional e da Eletrobras.
Apesar dos desafios, a Eletronuclear afirma que a geração de energia da usina será capaz de atender a 4,5 milhões de habitantes. Resta agora aguardar as decisões do governo e dos acionistas para definir o futuro de Angra 3.