
BNDES aprova financiamento de R$ 500 milhões para empresa de etanol de milho em Mato Grosso
No dia 13 de agosto, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a aprovação de um financiamento de R$ 500 milhões para a ampliação da capacidade produtiva da FS, empresa do setor de etanol de milho em Mato Grosso.
Segundo o banco, os recursos provêm do Fundo Clima, gerido pela instituição de fomento.
A FS, de acordo com o BNDES, tem um plano de crescimento focado em Mato Grosso. A empresa possui unidades em Lucas do Rio Verde, Sorriso e Primavera do Leste e está prevista para instalar uma nova operação em Querência, a cerca de 760 km de Cuiabá.
O CEO da FS, Rafael Abud, afirmou que “a região de Querência possui uma capacidade de produção de milho bem consolidada e com grande potencial de crescimento”. Ele destacou a localização estratégica que possibilita a distribuição de mercadorias para diferentes regiões do estado, Norte e Nordeste do país.
Atualmente, a empresa tem capacidade para produzir cerca de 2,3 bilhões de litros de etanol por ano e também possui tecnologia para fabricação de produtos de nutrição animal, conhecidos pela sigla DDG.
O Fundo Clima, criado em 2009 e vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, é gerido pelo BNDES para aplicação de recursos reembolsáveis. Com a capacidade ampliada neste ano, o fundo dispõe de até R$ 10,4 bilhões para financiar projetos de empresas privadas, setor público e terceiro setor.
Combustíveis como o etanol de milho são considerados apostas para a transição energética no Brasil. O diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, José Luis Gordon, ressaltou a importância do crescimento da oferta desse produto para garantir o abastecimento de etanol no país.
Em entrevista, Gordon indicou que a aprovação de crédito do banco para projetos na área de biocombustíveis deve crescer em 2024, impulsionada pela ampliação de recursos do Fundo Clima. Ele destacou que a descarbonização brasileira é um pilar do Plano Mais Produção do governo federal, com o setor de biocombustíveis apresentando um potencial significativo.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, enfatizou a importância da complementariedade entre o Novo PAC, Nova Indústria Brasil e Plano de Transformação Ecológica do governo para o desenvolvimento do país. Ele destacou a sinergia dessas políticas públicas e o papel crucial do BNDES como agente decisivo de crédito.
Mercadante defendeu que a transição energética depende de recursos públicos e não pode ficar restrita ao setor privado para garantir a redução das emissões de gases de efeito estufa e promover uma transição ecológica justa. A crise das queimadas em 2024 no Brasil, em meio à pior seca registrada no país, destaca a urgência de ações concretas e coordenadas para enfrentar os desafios ambientais do país.