
Quatro meses após as trágicas enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul em maio, a situação dos bairros mais afetados pelas águas apresenta realidades opostas em duas cidades do estado. Enquanto o centro de Sinimbu mostra sinais de recuperação e normalidade, o bairro Passo de Estrela, em Cruzeiro do Sul, permanece devastado, com casas destruídas e abandonadas.
Em Sinimbu, um exemplo concreto de resiliência é o Schulz Supermercado, que reabriu suas portas nesta sexta-feira (30), após um doloroso período de quatro meses de inatividade. Samuel Schulz, proprietário do estabelecimento, relata os desafios enfrentados: “Tivemos perdas significativas, mas com esforço e apoio financeiro, estamos retomando as atividades aos poucos.”
Já em Cruzeiro do Sul, a realidade é bem mais desoladora. O bairro Passo de Estrela se transformou em uma área fantasma, onde restam apenas escombros e casas danificadas. A maioria dos moradores optou por deixar o local e recomeçar em outras regiões, devido à magnitude da destruição.
Enquanto o comércio em Sinimbu lentamente se reergue, serviços públicos em ambas as cidades ainda enfrentam dificuldades para retornar à normalidade. O retardamento na reconstrução do posto do SUS em Sinimbu e a ponte Centenário em Cruzeiro do Sul são exemplos claros dos desafios que persistem após as enchentes.
Diante desse cenário, moradores como Glaucio Coutinho e sua família, residentes do bairro Passo de Estrela, se veem obrigados a buscar novos horizontes em meio à incerteza do futuro da região. A desapropriação anunciada pela Prefeitura de Cruzeiro do Sul levanta questões sobre o destino dos antigos moradores e o processo de reconstrução pós-tragédia.
Enquanto Sinimbu mostra resiliência e sinais de recuperação, Passo de Estrela enfrenta um longo caminho rumo à reconstrução e à superação. A solidariedade e a determinação dos moradores de ambas as cidades se apresentam como pilares essenciais na jornada de reconstrução dessas comunidades afetadas pelas enchentes.