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Casal improvável da “cracolândia” supera adversidades e constrói história de amor inspiradora



Amor na Cracolândia: Uma História de Superação e Mudança

Sair sozinho daquela condição em que estávamos é praticamente impossível. Sem uma mão para nos ajudar e fazer aquilo que sozinhos não tínhamos força, não havia perspectiva. Acredito que muitos outros também estão cansados de tanto sofrimento e opressão. Mas sem ajuda, não dá. – Marco César

Atualmente, os dois participam juntos da ação social que ajuda outros dependentes a saírem da “cracolândia”. Eles sempre se viam nos corredores, com troca de olhares, mas não conversavam. A iniciativa partiu dela num momento delicado. “Eu lembro que recebi bastante mensagem de pêsame e condolências quando a minha mãe faleceu. Mas ela foi a única que ligou, conversou e orou comigo. [A iniciativa] partiu dela, nesse momento de luto.” – Isildinha

Houve uma proximidade a partir daí, e o início do namoro firmado num encontro no Ibirapuera, meses depois. Ela tem cinco filhos de outros relacionamentos, e ele, dois. Nada disso, no entanto, foi impedimento para seguirem adiante. O casal agora irá completar dois anos de relacionamento em novembro, mas com a certeza do sentimento que mantêm um pelo outro. “É, eu posso dizer que sim [foi amor à primeira vista], né? Mas tudo foi um processo.” – Isildinha

Questionados sobre como resumir a história de amor que construíram, Marco define. “Como um amor que parecia impossível de acontecer, pelas circunstâncias que cada um estava vivendo nas ruas, a idade, e até mesmo por falta de amor de si próprio. Mas, quando houve essa mudança em nós, e provou o Senhor que nos conhecêssemos, tive a certeza que ela é um presente de Deus para mim.” – Marco César

Com certeza [existe amor na “cracolândia”]. É possível que sejam amores não compreendidos, amores sufocados pelo torpor da droga, mas, sim, existem. – Marco César ao definir amor que surgiu na região

O raio-x da “cracolândia”

A “cracolândia” passou por transformações. O “fluxo” está concentrado atualmente na rua dos Protestantes, no centro da cidade, mas já percorreu ao menos 18 vias nos últimos 17 anos, concentradas em cinco pontos, conforme levantamento feito pelo UOL. As ruas por onde a cracolândia passou ficam em uma área de 1 km quadrado.


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