
Na delação à PF, o ex-policial havia comentado que esse primeiro endereço não era viável para o crime. “Não tem como parar, é o cruzamento, 32 policiais andando na calçada, pois ali existe um policiamento na calçada. Então, quer dizer, era um lugar difícil de monitorar”, afirmou, na ocasião.
Marielle acabou sendo morta quando voltava para casa após participar de uma reunião na Lapa.
Audiência no STF
Ronnie Lessa prestou depoimento nesta terça em uma audiência promovida pelo STF no âmbito da ação penal sobre o caso. Os irmãos Brazão, acusados de mandar matar a vereadora, e outros réus foram retirados da videoconferência após pedido da defesa do ex-policial.
Defesa de Lessa alegou “constrangimento”. O advogado Saulo Augusto Carvalho Santos alegou que o delator tem “temor em depor na presença dos delatados pelo rompimento do pacto de silêncio firmado desde o segundo semestre de 2017”, período em que os planos para o assassinato de Marielle teriam iniciado. “É direito do colaborador participar da audiência sem contato visual com os delatados”, afirmou Santos.
O assassino confesso citou “alta periculosidade” de Domingos e Chiquinho Brazão, além dos PMs Ronald Paulo de Alves Pereira e Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe, e o delegado Rivaldo Barbosa. “Desde o início tínhamos um pacto de silêncio, que foi quebrado. Então, é muito delicado, todos os passos dessa teia, é tudo muito complicado. Eu gostaria de sigilo porque me sinto mais à vontade, não estamos lidando com pessoas comuns, mas com pessoas de alta periculosidade, assim como eu fui. Não sou mais perigoso do que eles. No depoimento vamos perceber que essas pessoas são mais perigosas do que se possa imaginar. Me sinto mais à vontade [sem eles na sala]”.