
No último fim de semana, a região do interior de São Paulo foi beneficiada com a chegada da tão esperada chuva, que trouxe alívio e evitou incêndios devastadores de vegetação. Essa atuação da natureza impediu que a situação se agravasse ainda mais, especialmente diante dos recentes eventos catastróficos em outras áreas do estado. Apesar disso, é fundamental não se tornar complacente, visto que muitas regiões do país ainda estão sob ameaça de chamas, como é o caso do Centro-Oeste e da Amazônia.
Os incêndios florestais, em sua grande maioria, são causados por ações criminosas, muitas vezes relacionadas a negligência ou irresponsabilidade. Porém, agora surgem indícios de uma possível coordenação por trás dos focos de incêndio, o que levanta preocupações sobre a origem dessas ações. É necessário aguardar por mais informações para confirmar qualquer suspeita nesse sentido.
Além do incremento na vigilância e resposta aos incêndios em todos os níveis governamentais, desde as prefeituras até o governo federal, uma ação imediata se faz urgente. O setor do agronegócio e suas associações, que dizem priorizar a sustentabilidade e condenar o uso do fogo em suas práticas, devem ir além das palavras e adotar medidas concretas.
É evidente que o clima brasileiro se tornou demasiadamente quente e seco para a utilização do fogo em atividades agrícolas, em qualquer proporção. Portanto, é imperativo que as entidades ligadas ao agronegócio apoiem a implementação de um pacto nacional pelo “fogo zero”. A rápida adoção de medidas semelhantes às moratórias anteriores, que foram bem-sucedidas, é crucial para evitar danos futuros.
Além disso, é necessário enfrentar a questão da conversão massiva de áreas florestais em monoculturas, que contribui significativamente para a vulnerabilidade ao fogo. A reposição e ampliação de reservas de vegetação nativa e áreas de preservação permanente são essenciais para reduzir esse risco, mas que ainda são negligenciadas em muitas regiões do país, incluindo São Paulo.
Embora haja promessas de comprometimento com a sustentabilidade por parte do agronegócio, ações concretas são necessárias para evitar tragédias como as que vêm ocorrendo. O momento pede uma mudança real e efetiva na forma como lidamos com o meio ambiente, e o setor agropecuário tem um papel crucial nesse cenário.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.